quinta-feira, 25 de junho de 2015

Mercado de trabalho do roteirista no Brasil

Respondi algumas perguntas de um estudante de pós-graduação em roteiro. O texto talvez seja útil para quem tem curiosidade sobre o trabalho de roteirista no Brasil.


- Qual é o processo mais comum entre o roteiro e o filme no Brasil? No cenário independente e no comercial.

Tanto no cinema independente quanto no comercial, o financiamento é público, através de editais (concursos) de agências e órgãos governamentais (em nível municipal, estadual e federal). Há também possibilidade de empresas patrocinarem, com incentivo fiscal (o dinheiro investido é abatido dos impostos a pagar). O patrocínio de empresas é mais comum em filmes de perfil comercial.

Uso a expressão "perfil comercial" porque são filmes com estilo popular, que buscam atingir um público que procura entretenimento. Mas os filmes não são "comerciais" no sentido de negócio - mesmo filmes com boa bilheteria interna não são um bom negócio, comercialmente. Os profissionais são remunerados com a verba de produção, que tem financiamento público.

A figura chave nesse sistema é o diretor-produtor. Os diretores de cinema em geral têm sua produtora, que capta recursos através dos editais (concursos).

Os roteiristas em geral trabalham por encomenda, nos projetos de interesse dos diretores.

Esse modelo também funciona no cinema comercial. Nesse caso, os diretores são geralmente profissionais com muita experiência na TV, que também querem trabalhar com cinema.

Existem alguns produtores que desenvolvem projetos, principalmente no cinema de perfil comercial. Eles participam do mesmo sistema de financiamento público. Existem concursos com verba específica para filmes de perfil comercial.

No cinema de perfil comercial há também atores (principalmente comediantes) que desenvolvem seus projetos de filme, trabalhando com roteiristas com quem têm afinidade (na maioria, roteiristas de TV).


- Qual é o processo mais comum entre o roteiro e o piloto de TV no Brasil?

O processo mais comum é que um profissional de TV aberta (principalmente, TV Globo) desenvolva um projeto e tente ser aprovado para produção internamente na emissora. Apenas a TV Globo, na TV aberta, produz seriados. Os outros canais, menores, produzem apenas telenovelas.

Alguns canais de TV a cabo investem recursos próprios, geralmente é pouco dinheiro, o que limita os projetos a produções de baixo orçamento (cerca de U$ 15.000) por episódio.

Existe financiamento público para seriados de TV, que funciona nos modelos do financiamento de cinema. Para um projeto ser aprovado, precisa ter um acordo de exibição com um canal de TV a cabo. Em geral, são as mesmas produtoras de cinema que também têm projetos de TV.


- Qual o maior mercado para roteiristas hoje? Filme, Radio ou TV?

TV.


- Qual é o papel do agente de roteiristas no Brasil?

Não existem agentes de roteirista.


- Quanto do processo de venda de um roteiro é responsabilidade do roteirista, e quanto é do agente?

Não existem agentes. Não existe compra de roteiros. A maioria dos roteiros é escrito por encomenda.

Alguns roteiristas escrevem roteiros originais e procuram parceiros (diretor, produtor, ator), para buscar patrocínio nos concursos de financiamento. Mas é raro que um projeto tenha origem em ideia original do roteirista.


- Quais você apontaria serem as maiores particularidades do trabalho do roteirista no Brasil?

Existe apenas uma emissora de TV forte, a TV Globo, que é a empresa com maior produção no país, e a melhor remuneração para roteiristas.

O trabalho de roteiro com melhor remuneração, e mais estabilidade, é a telenovela. As telenovelas são desenvolvidas pela direção de criação da emissora, junto com os autores (roteiristas) de mais destaque, que cresceram na empresa trabalhando como colaboradores em outras novelas.

A TV Globo costuma convidar roteiristas de destaque no mercado independente, para desenvolver minisséries para o canal. Do ponto de vista de remuneração, a TV Globo na maioria dos casos é o auge da carreira de um roteirista.


- A maior parte do trabalho de roteirista é feito como freelancer ou contratado?

Se considerarmos toda produção (incluindo a TV aberta), creio que a TV Globo tem mais roteiristas contratados do que o mercado independente. Isso porque atualmente há 5 produções originais de telenovela no ar, com capítulos diários. Cada novela tem cerca de 10 roteiristas na equipe. As novelas se revezam a cada 6 meses, então há roteiristas contratados já desenvolvendo as produções futuras.

Na TV a cabo, os canais de maior produção de seriados são da Globosat, que é uma empresa do grupo Globo. Os roteiristas dos seriados de TV a cabo geralmente trabalham também na TV aberta, ou em filmes para cinema.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Um certo desajuste

"Descemos um quarteirão até a Pedroso de Moraes, depois seguimos um pouco pela Cardeal Arcoverde. A pastelaria ficava na esquina da Cunha Gago, quase em frente ao ponto de ônibus, a entrada estreita mas comprida para dentro, tudo de azulejo branco. A fachada, entre palmeiras e cocos verdes com canudinhos, dizia Pastelaria Brasileira.

Eu quase não conhecia Janaína, minha impressão sobre ela era ainda de espanto com seu entusiasmo pelos garotos do Heavy Metal. Entusiasmo de geração espontânea, independente da pouca correspondência deles e do pouco encanto que eles exibiam enquanto espécimes humanos. Eu esperava, em minha vaga antecipação daquela noite, que suas amigas fossem falantes, risonhas e avoadas como ela. Mas Diandra e Samara eram sérias, cada uma a seu modo.

As três tinham estudado juntas durante todo ensino primário, numa escola particular católica na zona leste. Eram melhores amigas desde a sétima série, quando a pré-adolescência começou a definir suas personalidades de preferências. Da escola traziam ainda amizades com um grupo de garotos, a quem se referiram bastante durante a noite. Um deles tinha tentado suicídio alguns meses antes, e ainda preocupava os amigos. Elas trocavam notícias recentes sobre esse rapaz, Diego, e seu amigo mais próximo, Murilo. Pelo que entendi, os dois tinham temperamento artístico e um histórico um pouco desajustado entre os outros colegas da escola. Samara e Diandra se sentiam especialmente ligadas a eles, admiravam e compartilhavam esse desajuste, um certo desprezo pelas ambições convencionais dos outros alunos. Samara foi apaixonada pelo garoto que tentou se matar. Eles ficaram algumas vezes ainda no colégio, mas não evoluiu porque o rapaz tinha uma fixação não correspondida por Diandra. Murilo era o contrário do amigo depressivo. Paquerador e um pouco cafajeste, depois de um tempo de conversa entendi que as três já tinham transado com ele.

Foi um pouco cansativo passar duas horas ouvindo esse debate sobre dramas do passado das três. Elas falavam um tanto passionais entre elas, depois se davam conta da minha presença e me explicavam um pouco do contexto. Mas parecia ao mesmo tempo que, principalmente Janaína, se exibia um pouco para mim, mostrando como ela e as amigas eram diferentes e profundas. Eu ouvia e as observava com certa distância, mas apesar dessa defesa o fascínio funcionava e eu gradualmente me seduzia por aquele universo."


sexta-feira, 12 de junho de 2015

Sábado à noite, 1996

"- Janaína, o lance é que eu não gosto de U2. Aliás nem de metal.
- E daí? Vem com a gente, vai ser legal.

Eu tinha dezessete anos e o objetivo vital de conhecer gente diferente. Tudo o que envolvesse a Suzana e o Vinícius estava definitivamente encerrado como história passada. Então eu precisava de uma nova amiga ou então ia passar mais um fim de semana chato com minha avó e o namorado dela ou indo ao cinema sozinha. Janaína não era bem a companhia que eu tinha imaginado, a ideia de sair da Granja era descobrir pessoas originais ou avançadas ou alguma coisa assim, mas de tão relaxada ela ficava engraçada e o principal é que ela já tinha 20 anos. Não eram dezessete, mas vinte, e dois anos de experiência na maioridade me impressionavam muitíssimo.

Minha avó não gostou muito desse programa de sábado à noite na Cardeal Arcoverde.

- Você vai voltar como? - o tom de desagrado já indicava que ela não iria me buscar.
- Posso ver com as meninas.
- Você nem conhece essas meninas direito.

O dia seguinte teve momentos de negociação, perguntei a Janaína mais detalhes sobre o programa, e finalmente minha avó concordou que se eu voltasse pra Granja até a meia-noite, quando ainda tinha ônibus.

- Você desce no ponto da pizzaria e me liga de lá - ela disse. - Me espera na entrada e eu vou te buscar.

Janaína riu desse esquema - que Cinderella, ela disse - mas avisei que era isso ou nada. No sábado me arrumei, desci até a Raposo logo depois das sete e peguei o ônibus para Pinheiros. Encontrei Janaína e as amigas na frente do lugar que se chamava Quadrophenia (ópera rock do The Who, ela me explicou), duas garotas meio no estilo da Janaína, de jeans e sapatos de camurça de cano alto. Samara e Glaucia. O toque sábado à noite se resumia a blusas mais justas, batom e lápis no olho.

- Mas você tem mesmo que voltar à meia noite? - Janaína insistiu ainda na porta - Meia noite é foda. Liga pra tua avó, você pode dormir na minha casa. Eu juro que a gente vai de taxi, é perto.
- Nessa área não tem renegociação com minha avó. Nada feito.
- Será que vale a pena entrar? - Glaucia perguntou - A cerveja é cara e o show começa onze e meia, nem vai dar pra assistir.
- Vocês não precisam sair comigo.
- A gente não vai deixar você ir pro ponto de ônibus sozinha. Menor de idade não pode - elas riram.

Eram oito e pouco e da calçada dava pra ver que o lugar ainda estava vazio. Entrada larga de galpão, lá dentro um piso preto, sem mesas, sem nada. A moça da bilheteria em total desinteresse.

- E se a gente fosse tomar uma cerveja no Pitangueiras? Cerveja a três reais.
- Boa.
- Fechou."

terça-feira, 9 de junho de 2015

Excelente maionese

"Um dia ela veio me dizer que um deles estava a fim de mim. Meio rindo como se fosse uma coisa super legal e eu fosse ficar super animada que ela estava me trazendo aquela notícia sensacional. Eu fiquei meio envergonhada mas ela pegou no meu pé o intervalo inteiro, queria me levar para falar com os caras depois da aula, tipo muito massa, a gente entra no cemitério e fuma um e depois um hamburguer no Fyssura.

Na verdade minha avó não se importava muito se eu voltava pra casa pra almoçar ou não. Ela mesma comia o que queria na hora que queria, nunca tinha almoço, a geladeira era cheia de tigelinhas de legumes e coisas naturebas e era isso que tinha. Então na verdade eu podia fumar no cemitério com a Janaína e os cabeludos do fundão, mas eu não estava certa se era realmente uma boa ideia. Mas todos os meus não-sei vou-pensar foram inúteis e no fim pra encerrar aquela cena toda eu fui.

O louco é que o cara nem estava a fim de mim, quer dizer, cheguei preparada pra um chega pra lá caso o cara fosse muito grudento, mas ele tava na dele, falando do Metallica, e certamente eu estava em quarto lugar de importância ali, depois do Master of Puppets, dos amigos e do baseado. Janaína é que tava babando por um deles, um magro de cabelo liso abaixo do ombro, praticamente um Jesus Cristo, e ela se ria toda e os caras meio que não ligavam grande coisa.

O hamburguer do Fyssura foi o momento alto do dia, gordura de chapa e excelente maionese. Depois mais duas aulas de reforço de química orgânica e voltei pra Granja.

E agora Janaína era minha melhor amiga. Tipo ela mesma chegou a essa conclusão e passou a agir como tal. No dia seguinte segurava meu braço empolgadíssima com um lugar incrível na Cardeal Arcoverde que ela iria me levar no sábado, tipo a melhor banda cover do U2, ela e as amigas conheciam o cara da bilheteria, chegando antes das oito não precisava pagar entrada."

terça-feira, 26 de maio de 2015

Anglo Sergipe

"Pegar o ônibus na Raposo Tavares até a Consolação às 6 da manhã era sofrido. Mas convencer minha avó a fazer o cursinho em São Paulo foi uma vitória. Simplesmente não dava mais pra aguentar o pessoal do Rio Branco na Granja. Não dava pra aguentar ninguém que tivesse cara de que estudou no Rio Branco.

Janaína parecia meio suja. O cabelo meio despenteado, a calça jeans desbotada suja mesmo. E uma camiseta larga, velha. Olhando de longe parecia simplesmente uma menina largada. Eu via ela sempre conversando com uns caras na calçada, sentados nos carros, era o pessoal que fumava Malboro. Eram uns caras cabeludos tipo Heavy Metal do fundão da minha sala. Janaína era de outra sala mas eu via ela sempre na porta falando com eles.

Um dia ela veio me dizer que um deles estava a fim de mim. Meio rindo como se fosse uma coisa super legal e eu fosse ficar super animada que ela estava me trazendo aquela notícia sensacional."

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Sinopse de um novo livro

Um exercício de pureza

Cursinho

Olivia cresceu em Alphaville, bairro planejado no município de Barueri, na região metropolitana de São Paulo.  No início do cursinho, conhece um grupo de 3 amigas que frequentam bares em Pinheiros e transam com vários caras, principalmente alguns amigos que frequentam a roda.
As amigas não namoram ninguém. Transam nos bares e baladas, mas toda convivência íntima, de conversar e se apoiar, acontece entre elas. Vivem juntas.

Olivia fica seduzida e tímida. Depois de um namoro longo de 2 anos no colegial, ela agora quer transar por escolha própria, com caras que ela escolhe e acha bonitos. As amigas parecem um ambiente propício a isso, mas ao mesmo tempo a pressão (em forma de comentários divertidos) para transar com os caras da roda a deixa constrangida.

"Gosto de transar, mas não que vocês saibam e acompanhem tudo."

Numa festa, Olivia se interessa por um grupo de garotas que estão dançando juntas, tipo um trenzinho. Uma das garotas puxa Olivia para o trem. Olivia vai e gosta, mas quando volta para suas próprias amigas, elas olham desconfiadas.

Amigas organizam "fila" de amigos para transar com Olivia. Ela experimenta um, que acha mais bonitinho, mas fica frustrada. As amigas recomendam outro, que segundo elas é o melhor de todos. Mas Olivia acha ele feio e não quer.

Primeiro amor e ideais

No final do cursinho, Olivia conhece uma colega e se apaixona. É uma relação intuitiva e sexual, ela não pensa no futuro, que tipo de relação é aquela, não faz planos. Ela percebe que está amando num abraço muito forte e longo, uma proximidade muito profunda entre os corpos das duas.

Afasta-se um pouco do grupo de amigas anterior.

Quando o namoro acaba, Olivia decide ficar um ano sem sair com ninguém e dedicar sua energia a coisas mais importantes (estudar, trabalhar).

Olivia queria estudar biologia, mas tem medo de ser professora, e decide prestar fisioterapia. Quer trabalho com tempo flexível, para fazer atividade voluntária em causas ecológicas. Árvores urbanas. Plantas.


Colegial

Melhor amiga era estudiosa, muito preocupada com a aparência, queria fazer tudo certinho. Os pais trabalhavam muito durante o dia, e à noite o jantar entre família era bem preparado e obrigatório. Olivia podia conversar com a amiga na escola e no começo da tarde, mas no fim da tarde, horário das tarefas, amiga se afastava. Estudava para agradar os pais, mas não tinha ambições de carreira.
Queria encontrar o marido ideal, para ter um casamento perfeito como seus pais.

Na adolescência, a avó de Olivia (que a criou desde os 6 anos) começa a aproveitar a vida, Olivia se sente solitária e abandonada. Então começa a namorar um colega bom e carinhoso, em quem ela se apoia. Namoram por quase 2 anos, ficam muito grudados. Durante o namoro se afastou da melhor amiga, pois estava transando regularmente e ela não. Elas perderam o hábito de conversar intimamente, a amiga continuava virgem. Clima de inveja e brigas entre elas. Amiga não concorda que Olivia transe com o namorado. Ele não é importante para ela, é alguém que vai ficar para trás na vida dela. Amiga despreza esse namorado que é meio feioso e não muito inteligente.

Namorado era apaixonado pela melhor amiga de Olivia. Um dia, sozinhos em casa, sem nada para fazer, eles transam. Depois disso decidem namorar, sem paixão. Melhor amiga fica brava, perdeu os dois admiradores.

Durante o namoro, era o garoto que tomava a iniciativa de transar. Olivia regulava. Ele a agradava, fazia as vontades dela, elogiava, etc, até ela ceder.

No ultimo ano do colegial, Olivia terminou o namoro sem motivo específico. Queria estar livre daquilo tudo. Por isso escolheu fazer o cursinho em São Paulo, para se afastar dos amigos e dos laços da adolescência em Cidadelle.

Olivia era medianamente inteligente, e se dedicava medianamente à escola. Não era preguiça, mas uma certa distração. Era bonitinha, boa aluna mas não tanto assim.

Sua ídola na adolescência era a professora de biologia da escola, jovem e idealista.

Olivia participava de oficinas de recliclagem e fins de semana com aulas de ecologia, promovidos pelo grupo da professora.

Alguns anos depois, a professora levou alunos em caminhada na serra, um grupo se perdeu e um aluno morreu. Professora foi acusada informalmente, ficou deprimida, com muita culpa.


Primeiros anos

Olivia nasceu em 1978.

Ela perdeu os dois pais quando tinha 6 anos. Eles eram jovens (26 anos). Olivia foi criada pela avó paterna, que precisava lidar com a dor de ter perdido o único filho. Era uma mulher esportiva e jovial, que ainda não tinha 50 anos.

Olivia não lembra da própria dor. Ela só lembra da dor da avó. De precisar ajudar essa avó que tinha uma dor muito maior do que a sua.

Avó tinha estacionamento. No terreno do casarão antigo dos bisavós. Para ampliar o estacionamento, ela derruba algumas árvores antigas (estavam condenadas). Olivia fica triste mesmo assim, não pode ver externamente que as árvores estavam corroídas por dentro, para ela estavam vivas.

Quando Olivia está no colegial, a avó de repente muda de comportamento. Seu período de luto acabou. Ela começa a frequentar aulas de dança, coral, vai viajar com grupo de amigas da terceira idade. Diz para Olivia aproveitar a vida e ser feliz.


Trabalho e bissexualidade

Depois de formada, apesar dos ideais, Olivia se deixou levar pela facilidade de trabalhrm na clínica de uma antiga amiga da mãe. Esta mulher, feminina, veste-se com roupas românticas e delicadas, tem um certo ideal de uma vida bonita. A clínica tem flores, enfeites, é bem cuidada. Ela escolhe as fisioterapeutas pela aparência feminina e delicada. São todas bonitinhas.

Por causa do trabalho, Olivia volta para Alphaville. A avó agora tem 66 anos e tem um namorado. Avó não quer que Olivia more com ela. Quer receber o namorado, fazer jantares românticos, viajar com ele.

Olivia gosta de garotas porque são mais bonitas. Olivia sente-se excitada quando está junto da dona da clínica. Tem sonhos e impulsos eróticos sobre ela.

Narrar a atração e percepções de homo/bissexualidade nesse novo início.

Na primeira relação, no cursinho, foi tudo intuitivo, e Olivia não racionalizou sobre os impulsos de sua excitação. Agora percebe com mais clareza o prazer lésbico de se tornar ativa. O desejo de comer as garotas mais frágeis. E como isso se relaciona com a personalidade social boa e cordata.

Volta a Alphaville

Alguns anos depois de formada, amiga de Olivia (melhor amiga da adolescência) tem duas filhas, e fica muito tempo em casa, sem o marido. Ela não conta para os pais a situação difícil do casamento (os pais são o casal perfeito, ela tem vergonha). O marido parecia o homem ideal - médico neurologista, carreira promissora, um tanto dominador. Amiga descobre que o marido tem um caso, e decide se separar imediatamente, numa crise de dor e raiva. O marido é contra, e dá pouco dinheiro de pensão. Falta dinheiro para contas, comida, etc. A amiga está deprimida, as meninas despenteadas. Muito abandono e solidão.

Olivia ajuda a amiga a cuidar das filhas. Ela se compadece com a dor da amiga, assim como se compadecia com a avó.

Olivia percebe/desconfia que sua relação com a amiga tem algo de sublimação do papel de marido, o mesmo que tinha com a avó. Decide que precisa enfrentar sua vontade lésbica.

Olivia decide tentar aproximação com dona da clínica. Faz toda a corte, assume postura ativa. Dona da clínica aceita até a primeira transa, mas recusa a relação.

Olivia abandona tudo isso e volta para São Paulo

Amigas do cursinho, anos depois

Ao voltar para São Paulo, Olivia reencontra as amigas do cursinho.

Uma das amigas está numa fase difícil - com o primeiro namorado por quem se apaixonou de verdade, tem dedicação exagerada, mulher que ama demais - aceitou rejeições e traições, faz tudo por ele, é escrava, tirou fotos com algemas, etc.

Ao saber dessa história, Olivia se aproxima de uma das amigas, a que tinha personalidade mais próxima dela. Era mais independente, inteligente, irônica. Uma noite, jantando sozinhas, Olivia decide contar sua história lésbica. Amiga não rejeita, ouve com atenção.

Caso de amor com essa amiga.