sábado, 7 de novembro de 2009

Zeitgeist

Passei os últimos dias escrevendo um projeto de pesquisa, para a faculdade onde trabalho. Resolvi fazer uma introdução mais pessoal, não sei se vai funcionar.

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"Desde 2008, em minha pesquisa de doutorado sobre a telenovela O grito (Jorge Andrade, Globo, 1975) tento recuperar uma questão discutida pelo prof. Carlos Augusto Calil em meu curso de graduação. Em suas aulas sobre o cinema brasileiro, ele analisava um hiato de geração – uma ruptura no modo de pensar, produzir e criar, entre a produção dos anos 1970 (o cinema marginal) e dos anos 80 (o neon-realismo).

Esse hiato, compreendido de maneira mais ampla, de algum modo explicava meu desconforto ao apresentar, em seminários de pesquisa, o trabalho desenvolvido sobre a década de 1970 - época em que nasci, e não testemunhei de forma consciente.

Mesmo pesquisando com dedicação, eu me sentia constrangida ao expor minhas considerações a outros pesquisadores mais velhos, que tinham vivido os anos 70 jovens ou adultos.

Por que essa vergonha? A inquietação me conduziu a outras dúvidas: por que a vontade de pesquisar um passado tão recente? Por que os estudos já publicados, em maioria escritos por gente que vivenciou o período, não respondiam completamente às minhas perguntas?

(...)

Retomando o hiato de geração já mencionado: vários fatores históricos contribuíram para que a memória cultural dos anos 1960 e 1970 fosse parcialmente esquecida – ou melhor, retomada de modo seletivo, valorizando alguns aspectos e obliterando outros. De modo resumido, poderíamos mencionar: a mudança curricular efetuada pelo governo militar no ensino médio e fundamental; a ausência de certas vozes públicas – por censura, mudança de posição, exílio ou morte; a penetração massiva da mídia televisiva no país, interferindo em hábitos culturais e reforçando a importância social de consumo; um novo zeitgeist valorizando a alegria e o deboche, denunciando cansaço em relação à esquerda militante."

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OBS: Paulo, no texto incluí os livros que você indicou e citei seu nome... questão de justiça - obrigada.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Tia Eulália na Xiba

Tira do Laerte hoje na Folha.



Senti uma influência de Ismália, de Alphonsus de Guimaraens.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Wally Sailormoon

Comprei Impressões de viagem - CPC, vanguarda e desbunde, por sugestão do Paulo.

O livro foi recentemente reeditado, e o encontrei no site do supermercado Extra!

Segue um poema de Wally Salomão - na época denominado Sailormoon - citado na página 86:

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Materialismo dialético e psicanálise

As duas filhas família comentam as suas sessões de análise. Uma delas vai pra Inglaterra prosseguir análise com o analista ídolo do seu pai.

A outra fala dos rapazes que frequentam as sessões drogados e que portanto não podem ter seus problemas resolvidos.

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Comentário meu:

Deus santo: passaram trinta anos e a cena poderia muito bem acontecer na porta do colégio Santa Cruz.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

I'm not crying

Recomendação de minha ex-aluna Lia Udi:

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"Flight of the Conchords é um dueto da Nova Zelândia, formado por Bret McKenzie e Jemaine Clement. O grupo usa uma combinação de observação sagaz e guitarras acústicas em suas músicas. O dueto da comédia e da música se tornou a primeira base de uma série de rádio da BBC e, em seguida, uma série de TV americana, que estreou em 2006, também chamado de "Flight of the Conchords". (da wikipedia)

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Titanic



Li na revista Vida simples, da Abril. "Newspaper blackout poems". O autor escolhe palavras numa folha de jornal, e pinta o resto de preto.

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terça-feira, 27 de outubro de 2009

As coisas todinhas

Tentei cantar Trocando em miúdos em tom pacífico e carinhoso, imaginando se haveria uma interpretação alternativa ao rasga-coração. Mas algumas palavras - sobras, sombra, e todo o trecho a partir das alianças - desmontam a possível ambiguidade do início.

Então escrevi uma versão alternativa da letra:

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Eu vou te deixar a medida do Bonfim, pode valer
Te peço só o disco do Pixinguinha assim, se eu merecer

Trocando em miúdos, pode guardar
as coisas todinhas do nosso lar
as fotos daquilo que fomos nós
algumas pra mim eu pego depois
afinal também são as minhas lembranças

Aquela esperança de tudo se ajeitar, bem que eu tentei
A aliança um tempo ainda vou usar, eu nem tirei

Queria dizer que eu tentei poupar
todo desprazer que pude evitar
Não chore demais pelo meu estrago, pudesse eu teria evitado

Aliás, boto fé que aquele futuro amor vai te encontrar
Se não for demais uns livros antigos teus, posso levar?

Eu abro o portão sem fazer alarde
Eu levo a carteira de identidade,
se finjo na hora não ter saudade
é porque prefiro chorar mais tarde.