domingo, 28 de julho de 2013

American Splendor Assaults de Media


"What he said led me to believe that she probably liked my work but wasn't going to do anything for me, and she didn't. I was enraged even though I initially didn't think there was much chance of The Voice doing anything for me. Why hadn't this woman ignored my first letter instead of answering it and giving rise to some false hope I couldn't completely supress?"

"I think I know the answer. She had good intentions, but good intentions come cheap. It's easy to make promises, give assurance. Her execution was lousy, though. A person with good intentions who promises things and is too lazy to come through is often more harmful than a malicious person. (...) People like the assistant book editor don't even care enough about you to want to hurt you. That's why they're shocked when you get angry at them. They promise you things because they want to seem agreeabele. They don't keep their promises because it's too much trouble. They keep breaking their word because thy're so seldom penalized for it. It's accepted behavior in our society, like being fashionably late for dinner."

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Santa Bárbara

"Em julho Melissa foi aceita no curso de formação em psicanálise. Sendo funcionária do Instituto ela tinha desconto na mensalidade, mas ainda assim teria dificuldade para pagar o restante, pois parte da formação era submeter-se a análise com um dos instrutores do curso. Ela pretendia explicar a situação aos pais e pedir ajuda.

- Vou para Santa Bárbara no fim de semana. É melhor conversar pessoalmente.

Melissa pediu que eu a acompanhasse para que o ambiente ficasse mais neutro, e sua mãe controlasse as carências e cobranças.

- Isso pode atrapalhar - respondi. - Eles podem estranhar minha presença.
- Não precisamos entrar em detalhes. Você vai como amiga. Eles entendam o que quiserem.

Acordamos tarde no sábado e saímos pouco depois do meio-dia. Enquanto descíamos de elevador com as mochilas, imaginei que Melissa poderia ter pedido minha companhia para evitar a viagem de ônibus. Mas não seria preciso, pensei depois, quando chegamos à garagem. Eu emprestaria o carro se ela pedisse. Ela sabia disso.

Os pais de Melissa moravam numa casa ampla e nova, em um condomínio cheio de outras casas amplas e novas. Melissa explicou que o pai alugara a outra casa em que ela crescera, perto do centro, para uma clínica de estética. Comprara a casa atual recentemente, quando ela já estava em São Paulo. Havia espaço para três carros na garagem. Os cômodos eram grandes, com piso frio, uma edícula espaçosa com churrasqueira, e plantas em vasos. Nós entramos, Melissa me apresentou, a mãe estava tão encantada com sua presença que mal prestou atenção em mim. Parecia uma mulher infantil e agitada, diferente da figura melancólica que Melissa descrevera. Desculpou-se porque não conseguiu ir ao mercado, não tinha nada em casa, haviam almoçado o resto da comida que a empregada deixou no dia anterior. Ofereceu refrigerante dietético, era o que tinha. O pai perguntou se queríamos almoçar em algum lugar, mas Melissa não quis, não fazia questão. Ele então foi de carro ao mercado buscar algo para um lanche.

Deixamos a mochila no quarto reservado para Melissa, que parecia nunca usado.

- Me conta, filha, como está o trabalho novo? Faz tanto tempo que você não vem. Foi mais de um ano, não é?
- Vamos sentar lá fora, mãe?
- Claro, vamos, onde você quiser.

A mãe de Melissa tinha um pequeno cachorro peludo, talvez maltês. O cachorro arranhava as pernas de Melissa e pedia atenção. Sentamos na área da churrasqueira, e Melissa contou da faculdade e do trabalho no Instituto. A mãe se admirava e repetiu várias vezes:

- Que maravilha. Que ótimo.  

O pai voltou com pães, salames, conservas picantes e cervejas. Era um homem sério mas ria com facilidade. Melissa repetiu as principais notícias, depois a conversa se desviou para assuntos de tios, primos, antigos colegas de escola e vizinhos. Com a cerveja fiquei mais relaxada e me diverti ouvindo as histórias. Os pais perguntaram sobre meu trabalho e interesses, o pai se mostrou grato por minha ajuda na crise de Melissa.

- Nós ficamos felizes por você ter ajudado - foi o que ele disse, sem mencionar o problema.

Ficamos na churrasqueira até entardecer, em clima agradável, alternado com algumas pausas quando acabava o assunto, e algumas meias-palavras tensas entre Melissa e a mãe. Quando escureceu fomos para a sala assistir TV. Era um aparelho grande e novo, com imagem em alta definição, um sofá enorme e confortável para seis pessoas. O pai tinha o hábito de receber amigos para assistir esportes e filmes de ação. Gostava de efeitos especiais. Mais tarde, em substituição ao jantar, ele preparou filé de carne em aperitivo e serviu com azeitonas e vinho. Fomos para o quarto bêbadas, Melissa puxou o colchão extra da bicama, passou os lençóis e arrumei como possível. Depois de apagar a luz transamos na cama de cima tentando não fazer barulho.      

No meio da noite acordei repentinamente, de um sonho agitado, com a boca seca e a cabeça doendo. Fui até o banheiro tateando as paredes, voltei para a cama e tentei recuperar o sono, em silêncio, sem acordar Melissa."

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Um arranjo diferente

"Em junho Agnes telefonou. Disse que conhecera uma mulher e estava namorando, por isso limpou o armário do quarto e encontrou algumas coisas minhas. Uma pasta de documentos, uma caixa de fotos. Ofereceu-se para deixar o pacote na escola ou na portaria do meu prédio, e respondi que poderia buscar. Não me custava nada, ela não precisava ter tanto trabalho.

- Está bem, ela disse. - Deixo na portaria pra você.
- Eu posso ir depois do trabalho, quando você estiver em casa.
- Meus horários estão bagunçados, Fernanda. Não sei dizer quando vou estar em casa.  
- Vamos marcar um dia. Não tem pressa. Diga quando é bom pra você.

Desconfiei que ela chegava ao limite de dizer que preferia não me encontrar. Mas, depois de algum embaraço, Agnes sugeriu uma data, uma quarta-feira às sete e meia da noite. Antes de chegar, imaginei se a nova namorada estaria no apartamento com ela. Estava arrependida de não ter perguntado mais sobre a mulher, que idade tinha, o que fazia, como se conheceram. Recuperava minhas lembranças sobre suas preferências, pessoas que ela admirava com características que eu não tinha. Talvez uma mulher fina, uma médica, cabelos lisos e mãos bem cuidadas, talvez uma professora universitária conhecida como a chefe de Melissa. Agnes era suficientemente admirável para conseguir uma mulher assim.

Agnes estava sozinha quando entrei no apartamento. Fazia um ano e seis meses que havíamos nos separado, eu não estivera ali desde que levara meus móveis em fevereiro do ano anterior. A sala tinha uma pintura nova, a mobília um arranjo diferente. Havia mais espaço, e uma mesa de centro que eu não conhecia. Agnes me ofereceu um café, sentei à mesa da cozinha, ela buscou algumas fotos de sua última visita a Bruno no Canadá. Conversamos um pouco sobre ele e a mudança de Patrícia. Falei de meus planos sobre o mestrado, a ideia de sair da Escola da Fonte e ficar algum tempo sem trabalhar, talvez, apenas estudando.

- Você consegue? - ela perguntou. - Difícil imaginar você não trabalhando.
- Um tempo pelo menos. Vamos ver o que acontece.

Agnes contou das últimas mudanças no sistema previdenciário federal. Havia agora uma nova portaria, que permitia paridade total da última remuneração, caso ela esperasse até 2016 para se aposentar. Receberia doze por cento a mais do que o salário base de seu cargo, pois seriam incorporados os adicionais de qualificação. Mas ela ainda não sabia. Não queria trabalhar dois anos além do já previsto.

Terminamos o café e ela me entregou a caixa com meus documentos e fotos. Abri para lembrar o que era. Um envelope com carteiras de motorista vencidas e meu primeiro passaporte, feito em janeiro de 1999, quando levamos Bruno à Disneylândia em seu aniversário de catorze anos. Foi a primeira viagem ao exterior que fizemos juntas. Estávamos felizes, mas alguns meses depois senti os primeiros sintomas de depressão.

Fiquei menos de uma hora no apartamento. À porta, ao me despedir, aproximei a boca do rosto de Agnes e senti um impulso físico de beijá-la. Ela deixou um instante, mas depois me afastou."