domingo, 12 de outubro de 2008

Ler em voz alta

Tentei organizar mais um vídeo. A gravação e a edição são primárias. Eu simplesmente queria ler em voz alta. Espero que faça sentido para mais alguém.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Em terapia

Na próxima terça-feira vou a Brasília, depois minha terapeuta tem um compromisso. Para repor as sessões, fui três vezes à terapia nesta semana.

Num momento, tive a impressão de que ela ficou com os olhos vermelhos.

Se fosse verdade, seria bonito. Mas tive vergonha de olhar diretamente por isso não sei.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Sistema nervoso

Hoje vou à Cobasi vacinar as cachorrinhas. Eu estava esperando minha veterinária de sempre voltar das férias, mas ontem a Lolita tremeu um pouco e fiquei com pânico de Sinomose.

Devia ser o frio. Ela estava meio adormecida e levantou trêmula quando cheguei em casa. Mas a imagem me fez lembrar de minha primeira cachorrinha, Belle, que morreu dessa doença antes de completar um ano. O vírus ataca o sistema nervoso e o bichinho começa a tremer, é uma doença forte, poucos sobrevivem.

Na época, dois ou três cachorros morreram assim na casa do meu pai. Até percebermos que a vacina nacional não era boa.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Um modo mais digno

Na prova que passei aos meus alunos na semana passada, pedi que adaptassem o conto "Alguma coisa que não precisa de coisa alguma", de Miranda July. É a história de duas adolescentes que decidem morar juntas e tentam encontram uma senhora rica que as sustente.

Quando me formei, eu tinha essa idéia: pedir a um banqueiro uma mesada de R$ 1.000 para que eu pudesse escrever e não precisasse trabalhar. Sem a contrapartida das garotas do conto; era tão pouco dinheiro para alguém tão rico, um mecenato inofensivo.

Hoje, corrigindo as provas dos alunos, de repente percebi como era uma fantasia adolescente. A dificuldade de aceitar o trabalho, a responsabilidade pela própria vida. Um último desejo de continuar na infância recebendo tudo do mundo.

Na época eu pensava que a "arte" justificava meu desejo de não trabalhar.

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“Tinha que haver um modo mais digno de viver. Precisávamos de tempo para refletir sobre nós mesmas, para desenvolver uma teoria sobre quem éramos e dizer isso com música.

Com esse objetivo em mente, Pip veio com um novo plano. Partimos para ele com determinação; por três semanas seguidas escrevemos e reescrevemos e ressubmetemos nosso anúncio ao jornal local. Finalmente, o Portland Weekly aceitou; não soava mais como prostituição evidente e mesmo assim, para o leitor certo, não pareceria ser outra coisa. Nosso público-alvo eram mulheres ricas que gostassem de mulheres. Isso existe? Também aceitaríamos uma mulher sem muitos recursos que tivesse economizado seu dinheiro.

O anúncio saiu por um mês, e nossa secretária eletrônica transbordou de interesse. Todos os dias descartávamos centenas de homens para encontrar aquela senhora especial que pagaria nosso aluguel. Ela estava demorando a aparecer. Talvez ela nem mesmo lesse aquela seção do jornal semanal grátis.”

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Trecho do conto “Alguma coisa que não precisa de coisa alguma”, do livro “É claro que você sabe do que estou falando”, de Miranda July (Agir, 2007)

sábado, 4 de outubro de 2008

Não assistam a isso

Alguns anos atrás, quando comprei o primeiro computador com leitor de CD (e não apenas disquete), vi um jogo para crianças:"Estúdio da Barbie - Faça seu próprio filme" ou algo assim. Era uma versão simplificada do programa Director, com imagens pré-selecionadas da Barbie em vários ambientes. As crianças podiam montar filminhos usando aquele material.

Eu já tinha uns 25 anos mas fiquei imaginando como acharia aquilo maravilhoso se tivesse 10 (não pela Barbie, naturalmente. Nunca tive nem quis ter nenhuma). Tentei usar o Director meio toscamente nessa época, mas era um tanto complicado para minha pouca paciência informática, não-hacker nem nerd.

Ontem ouvi meus alunos falando de um programa que já vem incluído no novo Windows, o Movie Maker. Então hoje resolvi fazer o teste: será que é mesmo tão simples que eu possa aprender em 1 minuto? Realmente, é.

Então me cresceu uma vontade de fazer uns filmezinhos...

Não assistam ao que segue abaixo. Foi o que fiz em 1 minuto.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Senhor de seu harém

O jardim está sendo destruído, porque uma das meninas tem personalidade de filhote selvagem. Eu a chamo Uxa, porque lembra vagamente a cachorrinha que tive na adolescência. O cabrito a chama Uísque, porque parece uma "uisque" siberiana.

A magrela veio com o nome "Lorinha". Para ficar mais fácil, grito "Lolita" no jardim. Dentro de casa, o cabrito a chama de Formiga.

Joaquim anda desconfiado pelos cantos. Mas ele ainda é o rei dos nomes. Joca, Chewbacca e/ou Chuba. Não é mais o dono do pedaço (afinal chegaram as fêmeas), mas é o senhor de seu harém.




quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Pacote de Sucrilhos

Eu e meu amigo Carlos fomos selecionados num edital de desenvolvimento de roteiros de longa-metragem. Isso significa que, se não houver nenhum pepino burocrático, a partir de novembro ficaremos 6 meses desenvolvendo esse projeto.

Estou pensando em como me organizar, porque planejava recomeçar o livro "Limas da Pérsia" nesses meses. Talvez coloque um pouco por dia no blog - nem que seja uma frase - para manter a disciplina e não interromper o pensamento. Seriam frases sem explicação: para compreender, seria preciso acompanhar a sequência. Vamos ver. Tive várias idéias sobre a personagem, por isso não quero parar.

Quanto ao "Afeto", já tem tantos pedaços nesse blog que talvez as pessoas nem precisem ler o livro... o mosaico mental vai ficar mais interessante, preenchido na mente nebulosa de cada um. Depois de imaginar seu livro ideal, quem ler o texto real vai pensar: "ah, é só isso?"

Bem, segue mais um trecho:

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"Tinham acabado as aulas de natação. No horário de educação física, os meninos ficavam com Jorge na quadra de cima e as meninas desciam com a Carmen. Em vez de nos acostumarmos com ela, seus cabelos curtos e seu braço atrofiado, começou a circular a história de que era lésbica.


Às vezes Jorge deixava os meninos jogando sozinhos e vinha ver nossa aula. Parava ao lado de Carmen, trocavam algumas palavras observando nosso jogo. “Olha essa mão mole!”, ele gritava. “Força nessa bola!”. Estavam sempre dizendo para fazermos mais força.

Um dia Jorge gritou: “Quem acertar três saques vai ganhar um prêmio!”. As meninas queriam saber o que era, mas ele mandou a gente jogar. No final da aula se aproximou da quadra com o braço atrás das costas, escondendo algo. Estava sorrindo (sempre sorrindo), quando mostrou uma caneca de plástico com a foto dos Menudos. Não era um prêmio muito especial, a caneca vinha de brinde no pacote de Sucrilhos, eu já tinha visto no supermercado. Mas as meninas correram para cima dele, que esticou os braços e segurou a caneca bem alto. Várias meninas - Cíntia, suas amigas e as outras - começaram a pular à sua volta, puxando seu braço e tentando alcançar a caneca. Ele ria, ria, ria cada vez mais."