segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Trem para Mogi

Voltei hoje a revisar "O afeto". Comecei esse livro em 2002, quando li três volumes de "Em busca do tempo perdido". Estava muito preocupada com os detalhes da memória e o livro quase não tem trama. É bastante descritivo sobre o ambiente e as relações entre três amigas de um condomínio em Curitiba, aos onze anos de idade, na década de 80.

Por coincidência recomecei a ler "À sombra das raparigas em flor" em janeiro. Fiquei surpresa porque o livro agora me parece muito cansativo. Não sei se passou o impacto da descoberta do estilo de Proust, ou se é simplesmente uma questão de tempo. Quando li os primeiros volumes, estava trabalhando em Mogi das Cruzes e passava três horas no trem. Agora, com apenas alguns minutos para ler antes de dormir, fico irritada com quatro ou cinco páginas absolutamente redundantes.

De manhã percebi que meu livro também está um pouco cansativo, e isso me deixou triste. A editora comentou que não sentia, nesse texto, a surpresa narrativa de "Calcinha no varal". Hoje percebi que ela tem razão, e não sei se consigo melhorar isso.

Vou continuar a revisão até julho. Realmente não gostaria de dedicar mais tempo a isso, porque um antigo professor me desaconselhou e achei que parecia sensato. Ao mexer num texto indefinidamente, ele pode virar um monstro de Frankenstein.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Tentando voltar

Meu sobrinho está passando alguns dias aqui em casa e não consegui voltar a escrever. Tenho sonhado que encontro minha editora, que algum jornalista se lembra de mim, que um amigo comenta algo antigo que escrevi.

Tenho vergonha e tento neutralizar esse desejo de reconhecimento. De todas as maneiras em meu pensamento, procuro controlar qualquer impulso de vaidade.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Janeiro

Estou de férias até dia 20... talvez não escreva nada.

Para desejar um bom ano novo a todos, um poema de Cacaso:

Ré menor

Fazendo versinho,
querendo carinho.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Thalita Rebouças

Li uma matéria hoje no Estado de São Paulo sobre o aumento das vendas de livros infanto-juvenis. O texto falava de uma nova autora brasileira que tem feito muito sucesso entre meninas de 10 a 15 anos - Thalita Rebouças.

Me pareceu, pelos títulos mencionados, que "O fogão explodiu" está meio distante desses livros. Talvez a narração esteja ficando sintética demais - irônica demais? E, por mais que eu tente tornar a trama leve, a situação não é tão leve assim.

Enfim, paciência. Cada um escreve o que escreve.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Diálogos

Alguns livros sobre cinema e teatro sugerem recursos para compor diálogos mais ágeis. Não concordo com todos eles. Me incomoda, por exemplo, a sugestão de que os personagem tenham um vocabulário adequado à sua origem geográfica e social. Acho naturalista demais. Para mim os diálogos são arbitrários, não gosto de fingir realismo.

Mas gosto de colecionar frases. Encaixo expressões que já ouvi em algum personagem, com as palavras entre aspas. É quase uma documentação. O livro "Léxico Familiar", de Natalia Ginzburg, é assim organizado a partir de frases que sua família usou durante décadas. Ela registra a variação dos assuntos, das preocupações, as tensões de seus pais e irmãos através de palavras colecionadas. É lindo.

Voltando aos livros e suas dicas. Algumas me agradam. Por exemplo, evitar que as perguntas sejam respondidas diretamente. Sempre tento responder uma pergunta com outra pergunta, ou com um assunto diferente do anterior.

Também gosto das repetições, mas odeio interjeições. Evito sujar o texto. Uso apenas algum "ah" de vez em quando, com ponto final. Reticências me incomodam.

E abomino pontos de exclamação. Me preocupo bastante com a sujeira gráfica. Às vezes reescrevo uma frase somente para que tenha menos palavras e a linha fique mais limpa. Tenho cortado até vírgulas. Em vários momentos decido que a frase está boa apenas por sua aparência na tela.

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Este é um diálogo que escrevi na semana passada:

"- Você está com pressa?
- Estou. Na verdade, não.
- Vamos tomar um refrigerante?
- Não tenho dinheiro.
- Você não estuda no Colégio Marista?
- O que tem isso a ver?
- Achei que você era rica.
- Rico não anda a pé.
- Pobre não estuda em colégio particular.
- Quem disse?"

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Muitas vezes escrevo bastante tecnicamente. Não considero a trama nem os personagens como ponto de partida. Penso primeiro no ritmo, depois encontro uma idéia para causar esse efeito.