quarta-feira, 24 de abril de 2013

Um emprego de verdade


"Enquanto acompanhava a recuperação de Melissa, eu pensava na estabilidade de Agnes com uma clareza pragmática, e admirava retrospectivamente sua maturidade quanto às necessidades elementares. Ela entendera desde cedo, e com simplicidade, que as pessoas precisam de uma estrutura básica para viver. Supria a si mesma de segurança e bem-estar e demonstrava um carinho pela própria existência que eu tinha dificuldade em manifestar por mim. Eu buscara bens imateriais, amor, inspiração, novidade, e deixara minha existência física se ajeitar na corrente de outras ambições. Mas Agnes estava certa e fui apenas ingênua por tempo demais.

Nos horários de almoço, procurei informações sobre compra de imóveis. Fui à Caixa Econômica verificar o saldo de meu Fundo de Garantia e as possibilidades de financiamento imobiliário. Em dez anos de trabalho, eu acumulara um valor razoável para a parcela inicial de um apartamento pequeno, além de alguma reserva em caderneta de poupança. Conversei com meus pais e fiquei surpresa quando ofereceram ajuda. Eu nem sabia que tinham dinheiro guardado. O gerente da agência me disse que o momento era bom para compra se eu fosse ágil, pois o volume nacional de financiamentos estava crescendo, e os preços iriam aumentar.  

Aos vinte anos, eu queria ter uma vida diferente dos meus pais. Não porque fosse ruim, talvez por ser boa o suficiente para eu perceber que havia mais. Ao sair do bairro onde nasci, o sentimento repentino de não ter nada se transformou em energia. Coloquei meu empenho em ter uma profissão, uma mulher, uma vida. No início acreditava fortemente que queria aquilo, elegia rápido e me agarrava ao que escolhia: eu queria Agnes, a amizade de Patrícia, os prédios, os dias, as ruas em que elas viviam. Não houve um momento exato em que isso deixou de ser importante. Apenas, já no meio de tudo, eu descobri outros pequenos mundos em que a vida poderia ser igualmente boa. Outras rodas de amigas, que frequentavam outras ruas, encontravam-se em bares diferentes mas tinham os mesmos hábitos que eu admirava. Agnes, Patrícia e Heloísa continuavam sendo o meu ambiente, mas não eram a única opção. Eu amadurecia essa certeza à medida em que meu casamento com Agnes ficava mais difícil. Em alguns momentos, depois da raiva e o desânimo das longas discussões sem solução, eu sentia a tranquilidade dessa certeza.

A tranquilidade desapareceu quando me separei definitivamente. Desapareceu o encanto dos outros mundos virtuais. Eu não tinha nada: perder alguém é apenas perder. Mas a sensação se transformou conforme passaram os meses. Primeiro senti saudades da minha adolescência, das tardes vazias na vizinhança dos meus pais, conversando à toa com amigas avulsas que quase esquecera. Lembrava espontaneamente da faculdade e dos planos que deixei de lado. Quando Patrícia contou que deixaria a Escola, minha  vontade foi mudar de caminho, voltar alguns passos. Estudar novamente, seguir em frente e melhorar, em vez de lamentar o que acabara. Não seria tão simples, depois de tantos anos fora da universidade, mas eu poderia me organizar.

Meus papéis da faculdade estavam guardados numa pasta de arquivos amarela e desbotada. Num sábado à tarde, Melissa limpava as folhas dos vasos de violeta que colocara na beira da janela da sala. Ela estava melhor. Dormia menos, acordava mais disposta. Foi receptiva quando contei da mudança de Patrícia. "Talvez seja bom", ela disse. "Você não acha?". Ela já começava a fazer alguns planos para si mesma.

- Eu queria trabalhar. Ter um emprego de verdade. Trabalhar é bom, não é?
- É sim - eu dizia.

Ela voltava a falar com mais frequência, contava algumas sensações, ideias sobre sua depressão."
 

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Família civil


"- Um ciclo encerrado - eu repeti a Patrícia.
- Fiquei quinze anos nessa escola.
- Eu fiquei dez.
- Pois é. Pra mim já deu.

Patrícia era o tipo "batalhadora", como dizem. A mãe era faxineira, o pai alcoólatra a abandonou quando pequena, ligava eventualmente para pedir dinheiro. Não fez faculdade e começou a trabalhar muito cedo, em vendas, depois eventos, restaurantes. Respeitava o valor do dinheiro, identificava aquilo em que as pessoas gostavam de gastar. Aos trinta anos já convivia com ricos. "Prefiro lidar com os ricos", ela dizia. "Um prato de salada a sessenta reais é melhor negócio que quatro pizzas a quinze." Voz forte, falava diretamente, quase grosseira. Mas tinha o gosto refinado e não se enganava com conversa mole. Conheceu Heloísa aos trinta e cinco anos e nunca se separaram. Heloísa vinha de família rica e nunca trabalhou. Ajudava nos assuntos da família, mas os negócios eram administrados por um dos irmãos mais velhos. Eram quatro irmãos, um doente, outro fora atleta de hipismo e ainda lidava com cavalos. O patrimônio já estava dividido e o irmão empresário geria os investimentos de todos. Heloísa era a única mulher, e cuidava da saúde da mãe desde que o pai morreu.

Passei alguns dias pensando no que seria a Escola da Fonte, para mim, sem Patrícia. Eu fazia meu trabalho com prazer, gostava da escola, mas foi um gosto que se formou porque eu sentia orgulho em participar do mundo de Patrícia. Eu me espelhava na inteligência e no desprendimento com que ela trabalhava. Admirava sua relação com Heloísa, seus hábitos, a independência amorosa que mantinham entre si. Acima de meus outros amigos, Patrícia e Heloísa eram minha família civil."

domingo, 14 de abril de 2013

Assunto interno


"Escrevi para Agnes, escolhendo as palavras para que o contato não traduzisse um desejo de reaproximação romântica. Marcamos um almoço durante a semana. No dia marcado, fiquei ansiosa durante a manhã. Nos encontramos às duas da tarde, num restaurante perto do trabalho dela. Ela tinha clareado os cabelos e no primeiro olhar de longe, quando cheguei, confundi-a com uma velha. Mas era só a impressão por causa do cabelo, seu rosto estava calmo e saudável, apesar da expressão evasiva e talvez um pouco resignada. No início ficamos em assuntos gerais, sem mencionar a separação. Falamos bastante de Bruno, Agnes contou que ele estava feliz no Canadá e não planejava voltar depois da formatura.

- Ele tem uma namorada indiana, que faz doutorado em Matemática.
- Mais velha?
- Sim.
- Ele sempre foi maduro para a idade.

Bruno era um menino reservado. Quando estávamos sozinhos, em casa, falava bastante de suas ideias e sonhos. Mas em grupos maiores era quieto, observava mais que dizia.

- Sinto saudades dele - falei. - Gosto dele.
- Eu sei.

Esperando o café, depois que o garçom levou os pratos, Agnes perguntou:

- Por que você me ligou?
- Pergunta difícil.
- Você está morando com uma garota, não está? Bruno me contou.
- Estou.
- Imaginei que você ficaria com alguém mais jovem.

Contei sobre a doença de Melissa, ela foi compreensiva. Disse para eu ter paciência, iria passar.

- Melhor ficar deprimida aos vinte ou trinta anos. Depois é mais difícil.

Na saída do restaurante nos abraçamos, e Agnes seguiu caminhando para o edifício da Receita Federal, onde trabalhava. Algumas semanas depois, Patrícia contou que planejava mudar para a Bahia. Heloísa queria morar em um lugar calmo, para se concentrar no trabalho de escultura em madeira que começara havia alguns anos.

- Ela está se dedicando. Uma galeria aceitou suas peças.

As duas iriam para Cachoeira, no Recôncavo Baiano, pelo período inicial de um ano. Patrícia assumiria a administração de uma agência especializada em turismo histórico para europeus. A Escola da Fonte era um ciclo encerrado, ela disse. A mudança já fora discutida entre os sócios e conselho executivo, e Maria Sílvia Bustamante, a vice-diretora pedagógica, assumiria a gerência financeira e administrativa. Patrícia se desligaria antes do próximo ano letivo. A mudança para a Bahia estava prevista para março.

Não era uma boa notícia para mim. Eu não gostava de Maria Sílvia e evitava trabalhar próxima a ela. Patrícia sabia disso e pediu à diretora geral que me aceitasse em seu grupo, mas esta ainda não sabia claramente como dividir as funções entre mim e a atual secretária. Era um assunto interno entre os sócios, mas eles concordaram em me avisar antecipadamente em respeito a minha amizade pessoal com Patrícia."

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Retiros de silêncio


"No período em que Melissa esteve deprimida, segui uma rotina quieta. Ia para o trabalho, voltava para casa, passávamos as noites no apartamento. Melissa assistia televisão na sala por horas, via os telejornais de todas as emissoras, um depois do outro, repetindo as mesmas notícias. Comprei um sofá com assentos retráteis, para que pudéssemos deitar lado a lado. Também assinei a TV a cabo. Antes da depressão os canais não me faziam falta, mas precisei de alguma variedade depois de algumas semanas assim. Os remédios tiraram Melissa da apatia profunda, mas ela continuou fraca e introspectiva. Nos finais de semana, ela aceitava ir de carro até um parque na vizinhança, frequentado por pais e mães com crianças, onde havia patos e galinhas e violeiros tocando música caipira aos domingos. Ela gostava da música mas preferia sentar longe das pessoas, na sombra. Olhava os patos, as galinhas ciscando seguidas pelos filhotes. Eu lia, pois conversávamos pouco.

De dia, durante a semana, Melissa arrumava a casa. Lavava, passava, limpava, cozinhava. Eu preferia que ela saísse e procurasse alguma outra coisa, mas durante quase dois meses ela quase não saiu. Caminhava apenas até uma biblioteca de acervo circulante, e trazia livros grandes, biografias de cientistas, relatos de guerra, correspondências entre refugiados. Lia dois ou três livros por semana, seiscentas, setecentas páginas. Às vezes me contava passagens, falava mais dos livros que de si mesma.

Eu conversava com pouca gente, e lembrava de Agnes com alguma frequência. Num horário de almoço, na escola, procurei Bruno pelo skype. Perguntei como ela estava, fazia seis meses que não sabia notícia nenhuma. Bruno disse que ela continuava sozinha e parecia calma. Ligava uma vez por semana e contava dos retiros de silêncio que frequentava nos feriados. Fazia sessões de yoga numa praça, com um grupo de meditação, todos os dias ao amanhecer, às seis da manhã.

Eu lembrava do período em que estive deprimida, dois anos depois de conhecer Agnes, na passagem de 1999 para 2000. Minha depressão não foi repentina como a de Melissa. Não percebi os primeiros sintomas e demorei a perceber que havia algo errado, além do desgosto cotidiano. Passei meses tentando me recuperar do que eu acreditava ser apenas cansaço, pelo novo cotidiano com limites e obrigações. O trabalho levado a sério, a responsabilidade conjunta na criação do Bruno, o cuidado com a inseguraça e a instabilidade de Agnes. Eu pensava, no início, que poderia me acostumar com o peso e suportá-lo sem sofrer. Mas os dias se tornaram cada vez mais difíceis, eu controlava meu pesar porque me imaginava como a estaca emocional de sustentação da casa. Até quando não foi mais possível. Ao abrir os olhos de manhã, sentia náusea, um desprazer corporal por estar viva. Levantar era uma violação. Eu só melhorava depois de algumas horas de trabalho na escola, e em um instante de clareza entendi que deveria procurar um médico. Durante o tratamento, além dos remédios, lembro da frase do psiquiatra: "- Se você está deprimida por algum motivo, não vai melhorar enquanto não encerrar esse motivo."

A depressão me esclareceu sobre responsabilidades que assumi por fantasia, sem que ninguém dependesse delas ou sequer percebesse. Agnes se mostrou supresa quando contei do meu sofrimento escondido. Ela havia percebido a mudança, mas considerou que fosse um início de desamor. Esperava que um dia eu fosse embora e aceitou porque eu era jovem e fatalmente isso iria acontecer. Não foram fáceis as conversas em que nos dissemos tais coisas. Eu percebia as camadas de aparência se desfazendo, sentia-me exposta, e Agnes também, uma proximidade intensa que eu desconhecia. Curei a depressão mas era outra pessoa. Não me agarrava a Agnes como se disso dependesse minha sobrevivência. Como uma esfera de vidro, nosso casamento assumiu um contorno material. Um objeto que eu poderia ter ou não ter. As experiências em cada caso poderiam variar mas, quanto a minha habilidade de existir, seria indiferente. E um casamento, ao ser indiferente, pode ao mesmo tempo se tornar desnecessário."

terça-feira, 2 de abril de 2013

Paixão por cavalos


"Comprei os remédios, não foi barato, em casa li as bulas. O médico havia explicado que Melissa não tinha uma depressão simples. Ela não poderia tomar antidepressivos por muito tempo, sob o risco de entrar em mania, ou hipomania, ele não podia afirmar porque não tinha o histórico, mas, pelo pouco que ela contou, seu quadro não parecia extremo. A combinação de remédios era temporária, até que ela se estabilizasse. Procurei na internet a definição de hipomania. A definição do dicionário era "estado de excitação passageira ou habitual que, de forma atenuada, reproduz traços marcantes do comportamento maníaco-depressivo". Na Classificação Internacional de Doenças, a hipomania era descrita como "elevação ligeira mas persistente do humor, da energia e da atividade, associada em geral a um sentimento intenso de bem-estar e de eficácia física e psíquica", com "aumento da sociabilidade, do desejo de falar, da familiaridade e da energia sexual, e uma redução da necessidade de sono". Escrito dessa maneira, não parecia um perigo. Os sintomas não eram tão graves "de modo a entravar o funcionamento profissional ou levar a uma rejeição social". Segundo os textos que se repetiam em vários sites, nos quadros mais graves, mania com ou sem sintomas psicóticos, aconteciam "condutas imprudentes, irrazoáveis, inapropriadas ou deslocadas", e eventualmente "idéias delirantes", "alucinações", ou "fuga de idéias de gravidade tal que o sujeito se torna inacessível a toda comunicação normal". No estado em que Melissa se encontrava, era difícil imaginá-la com sentimento intenso de bem-estar e aumento de sociabilidade, embora ela tenha confirmado, quando o médico perguntou, que tivera fases de mania. Ela conhecia o termo e não estranhou a pergunta. Disse "sim" e calou. Depois de verificar que era eu, pelo momento, a responsável por Melissa, o médico quis saber se eu conhecia o transtorno ou alguém com esse problema. Não, respondi. Ele me confortou, afirmando que o tratamento era seguro, com boas chances de recuperação, se Melissa seguisse as orientações e estivesse disposta a melhorar. Os remédios atuais deveriam estabilizar seu sono, e o antidepressivo faria efeito em quinze dias. Eu imaginava o que viria depois. No dicionário havia ainda outra definição para hipomania. "Paixão pelos cavalos". "Estado de extrema inquietação que acomete os cavalos".

Eu não queria que Melissa ficasse sozinha em casa durante o dia, mas não podia ficar com ela. O fim do ano letivo era o período mais difícil na escola. Sugeri levá-la para a casa de seus pais, para passar a semana, e eu a buscaria no domingo antes da próxima consulta com o médico. Mas ela não quis. Eu não tinha certeza se deveria levar em conta sua opinião nesse estado, mas concordei por inércia. Eu estava tensa por abandonar o trabalho durante dois dias. A diferença da escola onde eu trabalhava, em relação a outras, estava menos nas aulas, instalações ou conteúdo, mas no modo de atendimento. Com mensalidade acima de cinco salários mínimos, pais e alunos valorizavam seu direito natural a tratamento individualizado. Por sua faixa de renda compartida por poucos, consideravam-se únicos. E as diferenças de instalações certamente existiam, eu gostaria de ter estudado em um espaço amplo e limpo.

Patrícia e Heloísa vieram ao apartamento no dia seguinte à consulta com o médico. Melissa saiu do quarto para cumprimentá-las, mas voltou logo para a cama. Ficamos as três na sala, perguntei se queriam vinho, preferiram chá. Eu servi uma taça para mim. Heloísa queria que eu avisasse os pais de Melissa, ainda que fosse para uma ajuda com remédios e consultas.

- Você não pode pagar isso sozinha. É muito pesado para você.

Seria constrangedor entrar em contato, eu sequer os conhecia. Heloísa era da família e se ofereceu para telefonar, introduziria o assunto e me apresentaria. Mostrei o número e ela ligou, a mãe atendeu, eu e Patrícia acompanhamos a conversa. Heloísa fez os primeiros cumprimentos, dizendo "saudades", "há quanto tempo", e em seguida informou: "- Não sei se vocês sabem, Melissa está morando com uma amiga minha. Uma moça ótima que conheço há muito tempo." Pelas respostas que seguiram, imaginei que a mãe já sabia.

Heloísa continuou:
- Melissa teve um problema de saúde na semana passada. Crise de depressão. Ela não está bem.

As frases seguiam entre pausas:
- Ela foi ao médico aqui.
- Ela não quer voltar para casa.

Finalmente ela disse:
- Vou passar o telefone a Laura. Ela está cuidando de Melissa e vai explicar melhor.

Heloísa me passou o telefone, não ouvi ninguém na linha.
- Ela foi chamar o marido - disse.

Depois de alguns instantes, ouvi a voz masculina. Eu me apresentei resumidamente, repetindo o que Heloísa havia dito. Uma amiga que dividia o apartamento com Melissa. Ele perguntou sobre a crise e o diagnóstico do médico. Foi objetivo e breve. Disse que poderia vir buscar Melissa.

- Eu já me ofereci para levar. Ela está abatida e não quer.

O pai pediu para falar com ela. Heloísa foi chamá-la, do quarto ouvimos sua voz insistindo, primeiro delicadamente, depois com firmeza. Enquanto isso, ao telefone, eu e o pai ficamos em silêncio. Melissa veio finalmente, sem ânimo, e permaneceu em pé enquanto o ouvia. Enfim respondeu:

- Eu prefiro ficar aqui, pai. É melhor para mim.

Ela voltou para o quarto, Heloísa pegou o telefone e confirmou que era melhor ela ficar, entre amigos estaria melhor. Introduziu a questão das consultas e remédios e, depois de alguma conversa sobre apoio e responsabilidade, o pai se dispôs a pagar os remédios se eu enviasse a nota escaneada. Quanto ao médico, embora ela não tenha mencionado, ele pagava para Melissa um plano de saúde. Enviaria a carteira pelo correio para que pudéssemos escolher alguém conveniado ao plano. Eu não tinha guardado o recibo dos remédios já comprados. Heloísa me perguntou o valor aproximado, repetiu a informação ao pai, que concordou em me reembolsar. Através de Heloísa, passei o número de minha conta bancária."