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quarta-feira, 2 de outubro de 2013

"Vocês se reproduziram demais."

Cena de Sérgio Bianchi - um grito no Viaduto do Chá: "Quero ficar completamente sozinho, saco. Vocês se reproduziram demais, tem muita gente. Não me interessa mais, não transo mais. Tem muita gente. Cara, vocês se reproduziram realmente demais. Não me interessa mais."

Aos 8min deste vídeo. Assisti há quase vinte anos e nunca esqueci.

terça-feira, 20 de março de 2012

Galícia

Documentário que uma ex-aluna está realizando.

Eu fui entrevistada por causa de minha avó paterna, Carmem.

Promo/teaser Identidade Cotidiana from Anna Lucchese on Vimeo.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Trabalhar cansa

O filme Trabalhar cansa, de Juliana Rojas e Marco Dutra, foi selecionado para a mostra Un certain regard, no festival de Cannes.

Marco, Juliana, e parte da equipe do filme, estudaram no curso de Cinema da ECA-USP, assim como eu. E o diretor de arte, Fernando Zuccolotto, foi meu aluno em 2005! Um de seus primeiros trabalhos talvez tenha sido assistência de cenografia na minha festa de casamento, decorando com magros recursos a quadra da Vai-vai.

Sobre o filme, ouvi informações soltas. Sei superficialmente (e não garanto exatidão), que os diretores e seus amigos próximos trabalharam com a Companhia do Latão, grupo teatral contemporâneo inspirado pelo pensamento de Brecht.

Os protagonistas de Trabalhar cansa são um casal que, diante da ameaça de desemprego, resolve abrir um mercadinho de bairro. Quando ele começa a funcionar, aparece um cheiro ruim e uma gosma na parede, crescendo inexplicavelmente. Uma mancha animal, horrível e sem explicação.

Sem ver o filme, imagino que ele misture o estranhamento de certo cinema contemporâneo (o horror do cotidiano) e a precariedade do discurso corporativo proativo.

Algo como um roteiro de Sérgio Bianchi, dirigido por David Lynch, e mais um pouco de nossa leve ironia diante impotência.

"TRABALHAR CANSA" - teaser from Gabriela Cunha on Vimeo.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Quem vai querer a minha periquita?

No primeiro bimestre de minhas aulas de roteiro, peço para os alunos fazerem vídeos curtos com imagens fixas. Normalmente mostrava como exemplo La Jetée, de Chris Marker, o lindo curta que inspirou o filme Os 12 macacos.

Hoje procurei exemplos diferentes. Encontrei várias animações com bonecos de risquinho.

Quem precisa de Chris Marker?



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Bem, às vezes a gente precisa...

sábado, 16 de outubro de 2010

A lenda de Billie Jean

Mencionei para meus alunos um filme dos anos 1980, A lenda de Billie Jean, em que havia uma cena de congregação da energia juvenil num ferro-velho. Sem fazer grandes pesquisas a respeito, lembro desse exemplo, vagamente inspirado em Joana D'Arc, entre vários filmes americanos que vendiam rebeldia pasteurizada para a juventude da época.

Procurando algumas cenas no You Tube, encontrei esse texto bastante detalhado, de uma americana da minha "faixa etária":

"Stacia Yeapanis is a Chicago-based interdisciplinary artist and a media fan. She received her MFA from The School of the Art Institute of Chicago in May 2006 and is a member of the Chicago-based artist collective Henbane."

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My Feminism is 80s Teen Movie Flavored

Stacia Yeapanis

Not many people remember the teen movie The Legend of Billie Jean. Expected to be a box office hit in the summer of 1985, it disappointed producers, earning a measly $3.5 million, and has yet to be released on DVD. This movie is why I still own a VCR.

The plot is simple: Billie Jean Davy is a teenage girl from a trailer park, who becomes an outlaw after being involved in an accidental shooting. She goes on the run with her friends and cuts her hair and becomes a celebrity hero seeking justice. The tagline, according to IMDB, is “When you’re seventeen, people think they can do anything to you. Billie Jean is about to prove them wrong.”

I was 7, not 17, when it was first released. I can’t remember exactly when or where I watched it for the first time. I remember that I believed the main conflict was between kids and adults. There’s no doubt the movie was marketed to the MTV generation. The theme song, Invincible by Pat Benatar, had already made it to #10 before the movie was released. I probably related to the movie because I was a kid and because life constantly feels unfair when you’re a kid.

But when I re-watched The Legend of Billie Jean at age 31, it was obvious to me that this overlooked teen movie is about more than a rebellious teen’s sense that her parents aren’t fair because they make her clean her room or get off the phone and do her homework. For me, it’s one of my earliest feminist texts (and a scathing critique of capitalism, but that’s another post). Watching it was like having myself and my experience of the world mirrored back to me. I don’t mean that I’ve ever cut my hair short or been an outlaw or slept at an abandoned mini golf course. I just mean that I must have learned something watching this movie over and over again. And it’s something I value.

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(o texto completo está aqui)

terça-feira, 22 de junho de 2010

Problemas no primeiro ato

Continuando a matéria de Amir Labaki (FSP, 19/11/1999):

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"De forma dispersa, Billy Wilder distribui pelo livro alguns de seus segredos de roteirista premiadíssimo. Uma das raras sacadas editoriais de Cameron Crowe é reuni-las na miscelânea de declarações do posfácio. Eis, assim, os 11 mandamentos de Wilder.

1. O público é instável.

2. Agarre-o pela garganta e não o deixe fugir.

3. Crie uma clara linha de ação para o personagem principal.

4. Saiba aonde você está indo.

5. Quanto mais sutil e elegante for a forma pela qual você camufla seus pontos de desenvolvimento da trama, melhor escritor você será.

6. Se você tem um problema com o terceiro ato, o problema verdadeiro está no primeiro ato.

7. Uma dica de Lubitsch: deixe o público somar dois mais dois. Vai amá-lo para sempre.

8. Em narrações em "off", tenha cuidado para não descrever o que o público já está vendo. Acrescente ao que ele está vendo.

9. O evento que acontece no fim do segundo ato desencadeia o fim do filme.

10. O terceiro ato deve ser construído, construído, construído em ritmo e ação até o último evento, e então...

11. ...É isso. Não vagabundeie."

Quanto mais quente melhor

Hoje, em aula, lembrei de umas sugestões de Billy Wilder que apareceram na Folha de São Paulo há alguns anos. Graças à internet e minha memória vaga, encontrei a matéria original, de 19 de novembro de 1999:

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Billy Wilder, cínico, entrega Billy Wilder
AMIR LABAKI
da equipe de articulistas



"Conversations with Wilder", recém-lançado nos EUA, ilumina pontos obscuros da vida do cineasta Billy Wilder, por meio de sua própria narração. (...)

Wilder nos conduz também a um delicioso "tour" pelos bastidores de sua estupenda obra. Ele mesmo começa por renunciar a qualquer importância. "Minha única ambição era entreter. Entreter, não me repetir e fazer o menor número de erros", anuncia logo nas primeiras páginas.

Para ele, "wilderiano" é um adjetivo sem sentido. "Não desenvolvi um estilo próprio, com uma exceção, talvez: fazia tudo a sério, fosse uma comédia ou não."

Wilder considera exagerada sua classificação como o mais cínico dos cineastas hollywoodianos. "Irônico, talvez", diz. Apenas um de seus títulos mereceria a etiqueta do cinismo: "A Montanha dos Sete Abutres", sobre um repórter que fatura com o desnecessário adiamento do salvamento de um acidentado. "Era como o filme deveria ser", explica. (...)

No livro, Wilder reafirma que seu maior mestre foi Ernst Lubitsch (1892-1947), para quem co-roteirizou "A Oitava Esposa de Barba-Azul" (1938) e "Ninotchka" (1939). "O segredo de suas comédias era deixar o público somar dois mais dois", explica. Mas não é de Lubitsch seu filme predileto: "O Encouraçado Potemkin" (1927), de Sergei Eisenstein.

(...)

O prazer maior é o de ouvir (aqui, ler) Wilder. É o grande triunfo do livro frente aos demais volumes recentes dedicados ao cineasta, da biografia autorizada já editada por aqui ("Billy Wilder e o Resto É Loucura", de Hellmuth Karasek, DBA, 1998) às duas últimas narrativas de sua vida publicadas nos EUA ("On Sunset Boulevard - The Life and Times of Billy Wilder", de Ed Sikov, Hyperion, 1998, e "Wilder Times", de Kevin Lally, Henry Holt, 1996).

Mesmo nonagenário, o diretor de "Quanto Mais Quente Melhor" nada perdeu do humor ácido que originou algumas das frases e situações mais divertidas da história do cinema. Wilder confirma-se no livro como seu maior personagem: dionisíaco, erudito, ranzinza, culturalmente conservador, curioso de tudo e de todos.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Como esquecer no outro blog

Coloquei no meu blog alternativo algumas fotos do filme Como esquecer. Trabalhei no roteiro em 2007. O filme está pronto e será lançado em outubro.

A diretora é Malu de Martino, produtora Elisa Tolomelli, e no elenco estão Ana Paula Arosio, Murilo Rosa, Natália Lage, Arieta Corrêa e Bianca Comparato.

Este é a sinopse:

"Júlia é uma professora de literatura inglesa, 35 anos, que luta para vencer a depressão e reconstruir sua vida depois de viver uma intensa e duradoura relação amorosa com Antônia.

Em meio a uma série de conflitos internos e diante da necessária readaptação para uma nova vida, não disfarça sua dor enquanto narra suas emoções.

Ao longo do filme, ela vai encontrando e se relacionando com outras pessoas que também estão vivendo, cada uma a seu modo, a experiência de ter perdido algo muito importante em suas vidas."

terça-feira, 11 de maio de 2010

Poeta da pensão

Estou no Rio desde domingo. Reservei um hotel pelo site Submarino e tive uma surpresa ao chegar.

No meu pensamento eletrônico, qualquer hotel cadastrado no site teria um padrão básico, meio Mc Donald's, como a rede Formula 1. Escolhi um baratinho, preocupada apenas com a localização.

Ao chegar no domingo, nas ruas escuras por causa da chuva, quase chorei de desamparo. O hotel ficava num antigo casarão. Depois da recepão coberta de madeira laminada, os quartos se dividiam por um longo corredor, como um pensionato. Ou, num termo mais antigo, uma casa de pensão.

O quarto era pequeníssimo, mobilidado com uma grande cama de casal e um armário de madeira antigo. Não havia espaço para abrir completamente essa porta.

O chão tinha tacos de madeira, provavlemente encerados há décadas sem nenhum polimento. Apesar de limpo, parecia ensebado como a recepção.

Senti um misto de horror e simpatia. Saindo de minha casa arejada e ampla, um instinto animal parecia reagir, alerta, à súbita redução no grau de conforto. Ao mesmo tempo, minha memória literária reconhecia com familiaridade uma lembrança imaginada de escritores modestos, trabalhando como funcionários públicos na década de 1940, escrevendo seus poemas em pequenos quartos de pensão.

Como é emocionante o curta-metragem O poeta do Castelo, de Joaquim Pedro de Andrade, mostrando Manuel Bandeira curvado, com seu terno frouxo, espremido entre prédios de apartamentos.

Lindo filme.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Te molesta mi amor?

Novamente cansada demais para escrever. Pensei em mostrar essa linda música do Silvio Rodriguez, e encontrei no You Tube um estranho vídeo em homenagem a Fidel.

Independente das escolhas políticas, o resultado é bizarro.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

A scena muda

Procurando textos sobre Jorge Andrade no catálogo online do Museu Lasar Segall, descobri encantada que as revistas A Scena Muda e Cinearte foram digitalizadas e estão disponíveis aqui.

Esta é a apresentação do projeto:

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"Editadas semanalmente na primeira metade do século XX, A Scena Muda (1921-1955) e Cinearte (1926-1942), são documentos de indiscutível valor histórico, imprescindíveis para a recuperação da memória do cinema nacional, da exibição e da crítica cinematográfica no Brasil."



sexta-feira, 5 de março de 2010

Quien habra inventado el reloj, caramba?

Assisti pela primeira vez a um filme do Carlos Gardel, Tango na Broadway. Nunca imaginei que ele fosse tão maroto, cantando.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

A língua do cão

Coloquei no You Tube o único curta-metragem que dirigi na vida. Foi gravado em 1995, na USP, quando eu fazia o terceiro ano do curso de Cinema. Cada aluno bolava um curta de 3 minutos; as funções eram preenchidas pelos colegas da turma, revezando em fotografia, som, edição, etc.

Eu não queria dirigir, mas não consegui escapar. Isso explica a escolha de um cenário único, a ação baseada no diálogo (preguiça).

Nunca pensei que seria engraçado. Achei que estava sendo sarcástica sobre questões de sexualidade e tal, mas não imaginei que as pessoas fossem rir.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

40 mulheres numa floresta

Na casa de minha amiga Eliany, encontro uma cópia de Meu jantar com André, de Louis Malle. Foi digitalizada a partir de um VHS gravado da televisão. Tem o logo do Eurochannel - deve ter sido exibido há uns dez anos, quando esse canal ainda tinha uma programação decente.

Assisti aos primeiros vinte minutos. Depois de uma introdução sobre André, os dois amigos se encontram num restaurante e começam a conversar. O filme inteiro se passa ali, segundo me disseram.

Logo na primeira pergunta - "O que você andou fazendo nos últimos anos?" - André conta sua experiência com Grotowski. Este o tinha convidado para um curso de teatro na Polônia. André recusa. Está em crise, não acredita mais no teatro, não tem o que dizer.

Grotowski pergunta: - O que eu poderia oferecer para você aceitar o convite?

André - Bem, se você conseguir 40 mulheres judias, que não falem inglês nem francês, toquem gaita ou trompete, estejam em crise com o teatro, e uma floresta para nos instalarmos, então eu vou.

Grotowski consegue praticamente tudo: as mulheres não são judias, nem todas tocam trompete, mas sabem sim tocar algum instrumento. Além disso, ele conseguiu também 40 homens que preenchem aproximadamente os mesmos critérios. E conseguiu a floresta.

André - Como eu poderia recusar?

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Jeanne Dielman, 23 Quai du Commerce

Procurei algum trecho de Je tu il elle no YouTube, mas não encontrei.

Desconfio que Chantal Akerman, assim como Almodovar, ficou bem-comportada depois dos filmes da juventude.

Segue um resumo razoável que encontrei, no site Jonathan Rosenbaum.com.

"Chantal Akerman directed and plays the lead in this early (1974) black-and-white feature that charts three successive stages of its heroine’s love life. In the first part she lives like a hermit, eating only sugar, compulsively rearranging the furniture in her one-room flat, and apparently writing and rewriting a love letter; in part two she hitches a ride with a truck driver and eventually gives him a hand job; in part three she arrives at the home of her female lover, and they proceed to make frantic love. This is every bit as obsessive and as eerie as Akerman’s later Jeanne Dielman and Toute une nuit, though not as striking on a visual level; as in all her best work, however, the minimalist structure is both potent and haunting." (JR)



Jeanne Dielman está completo no YouTube.

Vale a pena assistir ao menos um trecho.