Li uma matéria hoje no Estado de São Paulo sobre o aumento das vendas de livros infanto-juvenis. O texto falava de uma nova autora brasileira que tem feito muito sucesso entre meninas de 10 a 15 anos - Thalita Rebouças.
Me pareceu, pelos títulos mencionados, que "O fogão explodiu" está meio distante desses livros. Talvez a narração esteja ficando sintética demais - irônica demais? E, por mais que eu tente tornar a trama leve, a situação não é tão leve assim.
Enfim, paciência. Cada um escreve o que escreve.
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sexta-feira, 21 de dezembro de 2007
sexta-feira, 14 de dezembro de 2007
Acontecimentos patéticos
Escrevo meio forçada, porque seria bom terminar o livro infanto-juvenil em janeiro e mandar para o concurso da editora SM. Mas o ano está acabando, eu preferia descansar um pouco e ficar lendo no sofá.
Perdi o interesse em comentar a revisão desse livro, porque a linguagem é simples e não tenho grandes dilemas ao escrever.
O trabalho mais interessante foi a mudança de tom em relação à versão anterior. No primeiro manuscrito havia muitos personagens e tramas secundárias. Era uma gente solitária e suas vidas bastante tristes.
Joguei fora esse primeiro texto e aproveitei só duas páginas. Mudei o foco da narração, que agora vem da adolescente órfã, inteligente e um pouco abismada com a situação da família depois que a mãe morreu. Ela conta a história com bastante leveza, como se mal pudesse acreditar nos contratempos domésticos causados pelo declínio financeiro do pai. Gosto desse contraste entre ironia e acontecimentos patéticos.
Muitas vezes tenho o impulso de colocar na história todo o sofrimento pessoal que me fez considerar aquilo importante para ser escrito. Depois de um tempo, talvez justamente por escrever e relativizar as situações, o sofrimento vai embora. Então releio o texto e vejo que aquilo também é engraçado, apesar de trágico.
Já fiz a mudança de tom em três histórias. É um trabalho que me alivia muito.
Perdi o interesse em comentar a revisão desse livro, porque a linguagem é simples e não tenho grandes dilemas ao escrever.
O trabalho mais interessante foi a mudança de tom em relação à versão anterior. No primeiro manuscrito havia muitos personagens e tramas secundárias. Era uma gente solitária e suas vidas bastante tristes.
Joguei fora esse primeiro texto e aproveitei só duas páginas. Mudei o foco da narração, que agora vem da adolescente órfã, inteligente e um pouco abismada com a situação da família depois que a mãe morreu. Ela conta a história com bastante leveza, como se mal pudesse acreditar nos contratempos domésticos causados pelo declínio financeiro do pai. Gosto desse contraste entre ironia e acontecimentos patéticos.
Muitas vezes tenho o impulso de colocar na história todo o sofrimento pessoal que me fez considerar aquilo importante para ser escrito. Depois de um tempo, talvez justamente por escrever e relativizar as situações, o sofrimento vai embora. Então releio o texto e vejo que aquilo também é engraçado, apesar de trágico.
Já fiz a mudança de tom em três histórias. É um trabalho que me alivia muito.
quinta-feira, 25 de outubro de 2007
Príncipe dos eletrodomésticos
Eu gosto de narrar as histórias em tempo linear, porque é um estilo mais discreto. Idas e vindas no tempo narrativo me parecem um exagero de efeito, como misturar rendas e lantejoula na mesma roupa.
Mas às vezes a ordem linear não funciona, porque uma cena pode ser previsível em relação à anterior.
Por exemplo: Raquel recebeu a visita de um técnico que iria consertar seu fogão. Mas o rapaz não era exatamente competente, e foi embora sem consertar nada. Na sequência, eu ia descrever a reação de Raquel, reclamando com seu pai que chamou o técnico a partir de um anúncio no poste da esquina.
Mas essa ordem ficou muito óbvia: 1) o técnico chega - 2) o técnico é ruim - 3) Raquel reclama do técnico.
Então, antes da reclamação, resolvi incluir uma explicação de Raquel sobre o trabalho do pai. Depois de explicar como o pai é incompetente em seus negócios, ela conclui que essa mesma incompetência se aplica a tarefas mais simples, como contratar um técnico de fogões.
Espero que essa pequena explicação deixe a ação em suspenso, e assim a conclusão de Raquel, quando chegar, pareça inesperada.
Também escrevi uma frase que me pareceu engraçada, mas talvez seja simplesmente brega:
"O moço então se empolgou, e ajoelhou diante do fogão como um príncipe da manutenção dos eletrodomésticos."
Pode ser brega... mas que garota nunca sonhou com um príncipe de eletrodomésticos?
Mas às vezes a ordem linear não funciona, porque uma cena pode ser previsível em relação à anterior.
Por exemplo: Raquel recebeu a visita de um técnico que iria consertar seu fogão. Mas o rapaz não era exatamente competente, e foi embora sem consertar nada. Na sequência, eu ia descrever a reação de Raquel, reclamando com seu pai que chamou o técnico a partir de um anúncio no poste da esquina.
Mas essa ordem ficou muito óbvia: 1) o técnico chega - 2) o técnico é ruim - 3) Raquel reclama do técnico.
Então, antes da reclamação, resolvi incluir uma explicação de Raquel sobre o trabalho do pai. Depois de explicar como o pai é incompetente em seus negócios, ela conclui que essa mesma incompetência se aplica a tarefas mais simples, como contratar um técnico de fogões.
Espero que essa pequena explicação deixe a ação em suspenso, e assim a conclusão de Raquel, quando chegar, pareça inesperada.
Também escrevi uma frase que me pareceu engraçada, mas talvez seja simplesmente brega:
"O moço então se empolgou, e ajoelhou diante do fogão como um príncipe da manutenção dos eletrodomésticos."
Pode ser brega... mas que garota nunca sonhou com um príncipe de eletrodomésticos?
Gordo e suado
Um técnico chega para consertar o fogão na casa de Raquel.
Embora o texto seja leve, não quero descrever um técnico gordo, suado, com a barba por fazer. É engraçado e até verdadeiro, mas todos os técnicos de comédia são assim.
Preferi descrever um técnico bonito. O cabelo enroladinho com gel.
Embora o texto seja leve, não quero descrever um técnico gordo, suado, com a barba por fazer. É engraçado e até verdadeiro, mas todos os técnicos de comédia são assim.
Preferi descrever um técnico bonito. O cabelo enroladinho com gel.
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