domingo, 28 de julho de 2013
American Splendor Assaults de Media
"What he said led me to believe that she probably liked my work but wasn't going to do anything for me, and she didn't. I was enraged even though I initially didn't think there was much chance of The Voice doing anything for me. Why hadn't this woman ignored my first letter instead of answering it and giving rise to some false hope I couldn't completely supress?"
"I think I know the answer. She had good intentions, but good intentions come cheap. It's easy to make promises, give assurance. Her execution was lousy, though. A person with good intentions who promises things and is too lazy to come through is often more harmful than a malicious person. (...) People like the assistant book editor don't even care enough about you to want to hurt you. That's why they're shocked when you get angry at them. They promise you things because they want to seem agreeabele. They don't keep their promises because it's too much trouble. They keep breaking their word because thy're so seldom penalized for it. It's accepted behavior in our society, like being fashionably late for dinner."
quarta-feira, 26 de junho de 2013
Máxima do dia
Talvez as pessoas sensatas recomendem silêncio e concentração para escrever. Mas quando você tem o compromisso de escrever tantos dias por semana, e está morrendo de preguiça, deixar o facebook ligado é um truque pra distrair e continuar escrevendo entre amigos para não sofrer tanto.
segunda-feira, 10 de junho de 2013
Swamp é Grassado
Entre tanta bobagem que se escreve sobre falta de roteiristas na TV, imagino como os produtores lidariam com os adolescentes hoje.
Esse é um cartum de humor. Se entendo corretamente, a postagem é irônica: ri-se por descordar de gente que publica piadas assim na internet.
A graça está em criticar no mau gosto das expressões usadas. Zuera, ta esaltado, etc. Também se considera tristemente engraçado que tantas pessoas curtam e comentem um cartum ruim, inclusive crianças de "6 a 10 anos".
Swamp Booger é um personagem de internet, baseado num animal imaginário, junção de partes de vários bichos, aparentemente uma lenda urbana americana.
Esse é um cartum de humor. Se entendo corretamente, a postagem é irônica: ri-se por descordar de gente que publica piadas assim na internet.
A graça está em criticar no mau gosto das expressões usadas. Zuera, ta esaltado, etc. Também se considera tristemente engraçado que tantas pessoas curtam e comentem um cartum ruim, inclusive crianças de "6 a 10 anos".
Swamp Booger é um personagem de internet, baseado num animal imaginário, junção de partes de vários bichos, aparentemente uma lenda urbana americana.
sexta-feira, 7 de junho de 2013
Dezessete grandes declarações
Em 2012 fiz o exercício das "Grandes declarações", na oficina "Blueprint your book" de Minal Hajratwala. A ideia era escrever dezessete frases grandiosas sobre temas do livro em desenvolvimento. Não era necessário concordar com as frases. Poderiam ser princípios relacionados aos personagens.
Esta foi a minha lista:
- - -
"Algumas pessoas agem como crianças mimadas. Elas choram até conseguir o que querem. Elas não têm medo de ferir o sentimento dos outros. Elas não acreditam que têm a responsabilidade se importar com os outros tanto quanto se importam consigo mesmas. Elas só cuidam da própria vida. Elas acreditam que os outros fazem o mesmo, e nunca imaginam que estão erradas a não ser que alguém grite."
"Algumas mulheres agem como velhas mães submissas. Elas acreditam que não precisam de nada e podem sobreviver com muito pouco para si mesmas. Elas só querem ajudar. Elas precisam ajudar, do contrário não sabem o que fazer com as próprias vidas. Elas se emocionam com as vítimas. Elas nunca suspeitam que certas pessoas agem como vítimas porque acham que merecem mais e nunca estão satisfeitas."
"Algumas pessoas acreditam que são generosas e não percebem seus impulsos egoístas."
"As pessoas egoístas às vezes são generosas. As pessoas generosas às vezes são egoístas."
"Não existe amor puro. O amor é uma média aproximada de todos os tipos de sentimento."
"Viramos mulheres observando o que existe em torno de nós, mas as circunstâncias são acidentais."
"Tiramos conclusões sobre os outros em eventos causais. Depois acreditamos nisso e nos surpreendemos quando as pessoas agem diferente."
"Construímos fantasias e depois nos esforçamos para serem verdade. Quando acontece, não parece mais tão bom. Então queremos outra coisa e tentamos. Perdemos o que havia, e a nova coisa que temos agora fica menos importante. Sentimos saudades de antes, que fica melhor agora do quando existia."
"Há sempre raiva contra quem está no comando."
"A depressão parece um sentimento único quando você está mergulhado nela. Parece tão intimamente ligada à nossa própria história. Então você vai a um médico e ele descreve os sintomas como se descrevesse uma gripe ou uma intoxicação alimentar. É uma doença como outras, acontece com todo mundo. Então você toma remédios e não é mais sua própria história, é uma doença. Você age como doente e esquece sua história. Depois você sente saudades da sua história e imagina se curar-se é melhor que ser único."
"A indecisão pode durar muito. Você pode reclamar por anos e anos e ninguém acredita que um dia você fará algo para mudar. Então um dia a oportunidade aparece e você faz."
"Um momento feliz apaga magicamente muitas dúvidas crônicas."
"Fatos são mais importantes que frases. Se você sabe disso, avalia as pessoas de outro modo. Ajuda a detectar mentiras."
"Se você tenta duas ou três vezes e não consegue, melhor esquecer."
"Psicoterapia faz você pensar demais na própria infância. Se chegou ao fundo, dê-se por satisfeito e pare de cutucar. Traumas infantis não explicam todos os problemas de um adulto."
"A vida é melhor nas histórias. Nós lemos e acreditamos que nossa vida deveria ser assim. Mas não é."
"As pessoas nas histórias deveriam ser originais."
"Lembramos mais das coisas que aconteceram sem se esperar."
Esta foi a minha lista:
- - -
"Algumas pessoas agem como crianças mimadas. Elas choram até conseguir o que querem. Elas não têm medo de ferir o sentimento dos outros. Elas não acreditam que têm a responsabilidade se importar com os outros tanto quanto se importam consigo mesmas. Elas só cuidam da própria vida. Elas acreditam que os outros fazem o mesmo, e nunca imaginam que estão erradas a não ser que alguém grite."
"Algumas mulheres agem como velhas mães submissas. Elas acreditam que não precisam de nada e podem sobreviver com muito pouco para si mesmas. Elas só querem ajudar. Elas precisam ajudar, do contrário não sabem o que fazer com as próprias vidas. Elas se emocionam com as vítimas. Elas nunca suspeitam que certas pessoas agem como vítimas porque acham que merecem mais e nunca estão satisfeitas."
"Algumas pessoas acreditam que são generosas e não percebem seus impulsos egoístas."
"As pessoas egoístas às vezes são generosas. As pessoas generosas às vezes são egoístas."
"Não existe amor puro. O amor é uma média aproximada de todos os tipos de sentimento."
"Viramos mulheres observando o que existe em torno de nós, mas as circunstâncias são acidentais."
"Tiramos conclusões sobre os outros em eventos causais. Depois acreditamos nisso e nos surpreendemos quando as pessoas agem diferente."
"Construímos fantasias e depois nos esforçamos para serem verdade. Quando acontece, não parece mais tão bom. Então queremos outra coisa e tentamos. Perdemos o que havia, e a nova coisa que temos agora fica menos importante. Sentimos saudades de antes, que fica melhor agora do quando existia."
"Há sempre raiva contra quem está no comando."
"A depressão parece um sentimento único quando você está mergulhado nela. Parece tão intimamente ligada à nossa própria história. Então você vai a um médico e ele descreve os sintomas como se descrevesse uma gripe ou uma intoxicação alimentar. É uma doença como outras, acontece com todo mundo. Então você toma remédios e não é mais sua própria história, é uma doença. Você age como doente e esquece sua história. Depois você sente saudades da sua história e imagina se curar-se é melhor que ser único."
"A indecisão pode durar muito. Você pode reclamar por anos e anos e ninguém acredita que um dia você fará algo para mudar. Então um dia a oportunidade aparece e você faz."
"Um momento feliz apaga magicamente muitas dúvidas crônicas."
"Fatos são mais importantes que frases. Se você sabe disso, avalia as pessoas de outro modo. Ajuda a detectar mentiras."
"Se você tenta duas ou três vezes e não consegue, melhor esquecer."
"Psicoterapia faz você pensar demais na própria infância. Se chegou ao fundo, dê-se por satisfeito e pare de cutucar. Traumas infantis não explicam todos os problemas de um adulto."
"A vida é melhor nas histórias. Nós lemos e acreditamos que nossa vida deveria ser assim. Mas não é."
"As pessoas nas histórias deveriam ser originais."
"Lembramos mais das coisas que aconteceram sem se esperar."
segunda-feira, 6 de maio de 2013
Planejamento
Escrevo dois ou três capítulos sem pensar no conjunto do livro. Depois o rumo se perde. Faço um resumo (uma linha) dos capítulos já escritos, organizo as ideias para a sequência.
- - -
No apartamento novo, Fernanda estuda para seleção de mestrado, preparando-se para deixar a Escola da Fonte.
Melissa procura trabalho.
Questões sexuais entre elas. Melissa quer extrema delicadeza e lentidão.
- Do ponto de vista puramente sexual, seria bi, se não houvesse outras questões.
- Existe o sexo de comunhão. E o sexo de caça e presa.
Melissa volta pra curso de judaísmo (fase de encerrar o que antes deixou interrompido).
- Fez o curso de judaísmo, depois da internação de Guilherme e a morte da avó, para tentar resgatar as raízes mais seguras de seu pai.
- questão de deus / apostilas de judaísmo
Fernanda acompanha Melissa num sábado de manhã na sinagoga. Vê jovens evangélicas morenas, sozinhas.
Melissa volta a escrever, de noite, depois que Fernanda vai dormir.
Todo dia de manhã, antes de sair para o trabalho (Melissa ainda dorme), Fernanda lê o que ela escreveu na noite anterior.
Textos de Melissa:
- Algumas pessoas vivem na fantasia. Antes eu também vivia. Fiz um esforço para viver na vida real e agora isso me pesa.
- bula de remédio estabilizador
- A depressão por uma questão de delicadeza, por não descontar o peso no outro. Suportar o próprio sofrimento (difícil).
- Sobre Guilherme: "Eu havia me convencido que minha reação protetora e maternal não ajudava. O resultado era contrário: sua passividade se prolongava na proporção em que eu permanecia disponível ao seu lado. A dedicação aumentava apenas meu cansaço, eu havia prometido a mim mesma que não iria ceder. Ele deveria tomar o remédio. Por dois meses ouvi as mesmas frases enquanto ele desejasse falar, acreditando que era um momento especial em que descobríamos algum tipo de verdade, nos aproximávamos da essência, alcançando outro nível de percepção. Nada disso sobreviveu depois da crise. As frases sentidas, sempre as mesmas, me cansaram. O médico acreditou que ele estava doente, mas eu também já estivera doente e nunca atrapalhei o sono de ninguém que precisasse trabalhar no dia seguinte. A depressão é assustadora mas não impede ninguém de perceber que os outros também têm suas necessidades."
Nos textos, Melissa descreve seus hábitos: acordar, olhar notícias e anúncios de emprego, restringir fantasias e angústias, concentrar-se em coisas concretas.
Fernanda vai com Melissa p/ o interior, conhece os pais dela.
Mãe de Melissa gosta das notícias (fim da faculdade, curso de judaísmo), diz que o pai está feliz (depois de velho, questões de origem o comovem).
Melissa conta um pouco da vida dos pais.
Prima de Melissa (por parte de pai) oferece vaga de estágio (sinopses, etc, em agencia de assessoria de imprensa para empresas da área farmacêutica).
Melissa volta a receber mesada da mãe.
quarta-feira, 27 de março de 2013
terça-feira, 12 de março de 2013
"Se um dia", penso
Passagens do diário de Melissa, adaptando trechos antigos deste blog:
"Em novembro de 2001, Só conseguia escrever títulos. Tive muita dificuldade para lidar com a melancolia e a tristeza e o sentimento de abandono e os intervalos de euforia. No começo de 2002 fui a um psiquiatra pela primeira vez. Em agosto desse ano, tomei os primeiros comprimidos. Esse foram os títulos que escrevi em 2001:
- Os loucos são loucos, as mulheres são sempre servis
- Carreirista, filha da puta, e doce, e sincera
- Cuidadosamente evitando o suicídio
- Destruindo os bens da família
- Um queijo no lugar do coração"
"Minha avó faleceu hoje. Não era minha avó preferida (quando eu era pequena). Estava sempre trabalhando e não mimava as crianças. Há algum tempo entendi que mimar nem sempre é o mais importante. A mãe da minha mãe nos mimava muito e isso não ajudou. A avó paterna, agora falecida, provavelmente teria sido uma mãe melhor para nós duas. Entre as poucas coisas que dizia, lembro que repetisse muito: "Mentsh trakht un Got lakht". Somente crescida pedi para meu pai traduzir. O home planeja e deus ri."
"Lendo o estranho romance modernista sobre a Segunda Guerra, do amigo de Cesare Pavese. Os diálogos cheios de repetições são bastante enigmáticos para mim. As idéias repetidas insistentemente e a certeza se dilui enquanto os personagens tentam confirmar. Num encontro, Ene 2 e Lorena se conhecem apenas pelos codinomes, na resistência italiana:
- Eu não quero possuí-la.
- E quem lhe pede para me possuir?
- O que farei para possuí-la, Lorena?
- Não me possua.
- O que lhe daria, Lorena? O que poderia lhe dar?
- Não me possua se não tem vontade de me possuir.
- Não tenho nada para lhe dar, Lorena.
- Por que diz essas coisas? Não diria essas coisas se fosse você.
- Que coisa diria, Lorena?
- Não diria nada. Possuiria você e nada mais.
- Ficaria contente se possuísse você e nada mais, Lorena?
- Ficaria contente.
Um pouco perdida na leitura desse romance estranho, fiquei surpresa ao descobrir a posição em que ele coloca o complemento "ele disse". Muitas vezes ele interrompe as frases quando não há pausa vocal.
- "Mas eu", disse Berta, "não tenho casa".
- "Aquilo pelo qual", o velho disse, "morreram".
- "Posso lhe perguntar", disse-lhe o velho, "por que chora?".
- "Digo que não sabemos", disse o motorista, "o que vamos encontrar".
Reação minha:
- "Se um dia eu", penso, "pudesse escrever assim."
"Em novembro de 2001, Só conseguia escrever títulos. Tive muita dificuldade para lidar com a melancolia e a tristeza e o sentimento de abandono e os intervalos de euforia. No começo de 2002 fui a um psiquiatra pela primeira vez. Em agosto desse ano, tomei os primeiros comprimidos. Esse foram os títulos que escrevi em 2001:
- Os loucos são loucos, as mulheres são sempre servis
- Carreirista, filha da puta, e doce, e sincera
- Cuidadosamente evitando o suicídio
- Destruindo os bens da família
- Um queijo no lugar do coração"
"Minha avó faleceu hoje. Não era minha avó preferida (quando eu era pequena). Estava sempre trabalhando e não mimava as crianças. Há algum tempo entendi que mimar nem sempre é o mais importante. A mãe da minha mãe nos mimava muito e isso não ajudou. A avó paterna, agora falecida, provavelmente teria sido uma mãe melhor para nós duas. Entre as poucas coisas que dizia, lembro que repetisse muito: "Mentsh trakht un Got lakht". Somente crescida pedi para meu pai traduzir. O home planeja e deus ri."
"Lendo o estranho romance modernista sobre a Segunda Guerra, do amigo de Cesare Pavese. Os diálogos cheios de repetições são bastante enigmáticos para mim. As idéias repetidas insistentemente e a certeza se dilui enquanto os personagens tentam confirmar. Num encontro, Ene 2 e Lorena se conhecem apenas pelos codinomes, na resistência italiana:
- Eu não quero possuí-la.
- E quem lhe pede para me possuir?
- O que farei para possuí-la, Lorena?
- Não me possua.
- O que lhe daria, Lorena? O que poderia lhe dar?
- Não me possua se não tem vontade de me possuir.
- Não tenho nada para lhe dar, Lorena.
- Por que diz essas coisas? Não diria essas coisas se fosse você.
- Que coisa diria, Lorena?
- Não diria nada. Possuiria você e nada mais.
- Ficaria contente se possuísse você e nada mais, Lorena?
- Ficaria contente.
Um pouco perdida na leitura desse romance estranho, fiquei surpresa ao descobrir a posição em que ele coloca o complemento "ele disse". Muitas vezes ele interrompe as frases quando não há pausa vocal.
- "Mas eu", disse Berta, "não tenho casa".
- "Aquilo pelo qual", o velho disse, "morreram".
- "Posso lhe perguntar", disse-lhe o velho, "por que chora?".
- "Digo que não sabemos", disse o motorista, "o que vamos encontrar".
Reação minha:
- "Se um dia eu", penso, "pudesse escrever assim."
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