Faz quase um mês que meu sobrinho está morando conosco. Expliquei que não costumo colocar fotos de outras pessoas no blog - precaução habitual contra sequestros, pedofilia, essas coisas. Mas ele insiste em aparecer.
Escolhi uma foto antiga, em que ele mostra seus superpoderes:
Faz tempo que não falo sobre literatura. Doutorado, mudanças familiares, pressa.
Em março compramos a edição do Gênesis, do Crumb. Ficou sobre a mesinha da sala, eu lia alguns pedaços e deixava. Há algumas semanas decidi ler organizadamente, do início ao fim.
Alguns anos atrás, disse num jantar entre amigas que não considerava o aborto uma grande questão. Muitas estranharam. Agora, em meio a esse debate tosco por causa das eleições, resolvi organizar algumas idéias.
De certo modo, me incomoda que a questão do aborto vire a "grande" questão feminina aqui no Brasil. Antes de discutir isso, deveria haver um projeto sério e generoso de orientação e planejamento familiar disponível a todos.
Acho que deveríamos considerar a situação concretamente:
- O aborto já é legal em alguns casos (estupro, risco de vida p/ a mãe, etc), e mesmo assim muitas mulheres têm dificuldade quando decidem optar por esse direito nos hospitais públicos.
- Para quem tem dinheiro, o aborto é legal na prática. Até onde eu saiba, não há nenhum promotor público caçando clínicas que realizam esse procedimento de maneira segura.
- Considerando que houvesse uma lei que tornasse o aborto legal. Como isso funcionaria no sistema público de saúde?
Hoje há pessoas que morrem na fila esperando por operações simples e sem dilemas morais - inclusive partos. Acho meio cretino o argumento em defesa da legalização, dizendo que morre uma mulher numa clínica clandestina a cada dois dias.
Pois bem, se o aborto fosse legalizado, e o atendimento de saúde pública continuasse como está... será que as mulheres que desejassem abortar procurariam um hospital público, ou continuariam indo a qualquer buraco, pra resolver o assunto sem filas e constrangimentos?
Acho que antes de ser "contra" ou "a favor", deveríamos nos preocupar em definir melhor o problema.
Muitas conversas sobre as eleições são baseadas em oposições primárias - gosto desse, odeio aquele, etc. Não acredito na utilidade disso. Nenhum candidato ou partido está blindado contra falhas.
Votar num candidato significa escolher entre as opções que se apresentam, compreendendo que ele/a não fará nada sozinho/a. Junto trabalharão seus aliados, que preencherão os vários ministérios e cargos estratégicos do país.
Quem vota deve também reconhecer suas próprias falhas. Ante de votar deveríamos pesquisar, o mínimo que fosse, sobre o histórico de atuação de cada candidato/partido nas várias áreas de interesse do país - educação, cultura, saúde, economia, ambiente, etc.
Falar mal de um ou outro sem essa pesquisa prévia é tratar questões essenciais de nossa vida como mesa redonda de futebol. Ou ainda pior, afinal muitos comentaristas sabem o nome do jogador que perdeu um gol no segundo tempo de uma partida entre Santos e Atlético Mineiro em 79, mas não sabem dizer quem foi ministro da Educação em 1998, e o que ele fez em sua gestão.
Eu não concordo com todas as palavras do vídeo abaixo. É um texto de campanha, e talvez polarizado demais. Mas não vivemos num mundo ideal: vivemos no lugar e no tempo que encontramos ao nascer, e do qual participamos. Ninguém pode jogar a culpa nos outros se não faz sua parte. O mínimo que fazemos é escolher, e votar.
O PT tem seus problemas, e os partidos aliados também. Mas comparando a atuação do Ministério da Educação nos governos de FHC e Lula, a diferença é clara. Cada um vota conforme seus critérios. Esses são os meus.
Mencionei para meus alunos um filme dos anos 1980, A lenda de Billie Jean, em que havia uma cena de congregação da energia juvenil num ferro-velho. Sem fazer grandes pesquisas a respeito, lembro desse exemplo, vagamente inspirado em Joana D'Arc, entre vários filmes americanos que vendiam rebeldia pasteurizada para a juventude da época.
Procurando algumas cenas no You Tube, encontrei esse texto bastante detalhado, de uma americana da minha "faixa etária":
"Stacia Yeapanis is a Chicago-based interdisciplinary artist and a media fan. She received her MFA from The School of the Art Institute of Chicago in May 2006 and is a member of the Chicago-based artist collective Henbane."
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My Feminism is 80s Teen Movie Flavored
Stacia Yeapanis
Not many people remember the teen movie The Legend of Billie Jean. Expected to be a box office hit in the summer of 1985, it disappointed producers, earning a measly $3.5 million, and has yet to be released on DVD. This movie is why I still own a VCR.
The plot is simple: Billie Jean Davy is a teenage girl from a trailer park, who becomes an outlaw after being involved in an accidental shooting. She goes on the run with her friends and cuts her hair and becomes a celebrity hero seeking justice. The tagline, according to IMDB, is “When you’re seventeen, people think they can do anything to you. Billie Jean is about to prove them wrong.”
I was 7, not 17, when it was first released. I can’t remember exactly when or where I watched it for the first time. I remember that I believed the main conflict was between kids and adults. There’s no doubt the movie was marketed to the MTV generation. The theme song, Invincible by Pat Benatar, had already made it to #10 before the movie was released. I probably related to the movie because I was a kid and because life constantly feels unfair when you’re a kid.
But when I re-watched The Legend of Billie Jean at age 31, it was obvious to me that this overlooked teen movie is about more than a rebellious teen’s sense that her parents aren’t fair because they make her clean her room or get off the phone and do her homework. For me, it’s one of my earliest feminist texts (and a scathing critique of capitalism, but that’s another post). Watching it was like having myself and my experience of the world mirrored back to me. I don’t mean that I’ve ever cut my hair short or been an outlaw or slept at an abandoned mini golf course. I just mean that I must have learned something watching this movie over and over again. And it’s something I value.