sexta-feira, 30 de outubro de 2009

I'm not crying

Recomendação de minha ex-aluna Lia Udi:

- - -

"Flight of the Conchords é um dueto da Nova Zelândia, formado por Bret McKenzie e Jemaine Clement. O grupo usa uma combinação de observação sagaz e guitarras acústicas em suas músicas. O dueto da comédia e da música se tornou a primeira base de uma série de rádio da BBC e, em seguida, uma série de TV americana, que estreou em 2006, também chamado de "Flight of the Conchords". (da wikipedia)

terça-feira, 27 de outubro de 2009

As coisas todinhas

Tentei cantar Trocando em miúdos em tom pacífico e carinhoso, imaginando se haveria uma interpretação alternativa ao rasga-coração. Mas algumas palavras - sobras, sombra, e todo o trecho a partir das alianças - desmontam a possível ambiguidade do início.

Então escrevi uma versão alternativa da letra:

- - -

Eu vou te deixar a medida do Bonfim, pode valer
Te peço só o disco do Pixinguinha assim, se eu merecer

Trocando em miúdos, pode guardar
as coisas todinhas do nosso lar
as fotos daquilo que fomos nós
algumas pra mim eu pego depois
afinal também são as minhas lembranças

Aquela esperança de tudo se ajeitar, bem que eu tentei
A aliança um tempo ainda vou usar, eu nem tirei

Queria dizer que eu tentei poupar
todo desprazer que pude evitar
Não chore demais pelo meu estrago, pudesse eu teria evitado

Aliás, boto fé que aquele futuro amor vai te encontrar
Se não for demais uns livros antigos teus, posso levar?

Eu abro o portão sem fazer alarde
Eu levo a carteira de identidade,
se finjo na hora não ter saudade
é porque prefiro chorar mais tarde.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Acham que é bobagem tentar

Peço perdão aos amigos... ando atolada em trabalho e não consigo acompanhar meus blogs preferidos.

Segue um trecho de reportagem sobre Plinio Marcos, que encontrei em minha pesquisa:

- - -

"O sucesso que está fazendo agora na televisão não assusta Plínio Marcos. Na verdade ele a conhece bem, porque foi nela que começou, trabalhando no Departamento de Tráfego. Desde então a vê como um grande veículo de comunicação.

Plínio gostaria de escrever novelas, mas, como ele diz, "os diretores de televisão começaram a me achar maldito. Acham que é bobagem tentar porque não passa na censura. Com essas e outras ninguém me convida pra escrever coisa nenhuma. Eu gostaria muito e me ofereço sempre, mas eles não querem."

Tinha certeza que sua novela "Dentro da Noite" seria um sucesso, embora não possa dizer que fosse igual ao de "Beto", que entrou no lugar dela e de que, aliás, Plínio é um entusiasta. Mas o problema, para ele, é que não está preocupado com formas, mas com "dar o recado".

- Bráulio, que é um homem bastante culto, pode fazer as duas coisas ao mesmo tempo."

- - -

Plinio Marcos ou "João Juca Jr.", o anti-heroi. FSP, 14/01/70.

- - -

A reportagem se refere à novela João Juca Jr., exibida na Tupi entre 1969-70.

Braulio Pedroso, mencionado ao final, escreveu Beto Rockefeller, também da Tupi, em que Plinio se destacou como ator.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Peguei uma onda maneira

Ontem pensei em colocar um trecho de entrevista do Glauber Rocha, do ótimo livro indicado pelo Paulo (Patrulhas ideológicas).

Mas é sexta, está sol, de repente me lembrei dessa maravilhosa música do João Penca e seus Miquinhos Amestrados. Tenho uma enorme birra da moda trash eighties, mas essa música era demais!



Popstar

Peguei uma onda maneira
Dei "cutback", "hang five, "hang ten"
Eu sou melhor surfista da minha rua

Não tenho saco pra escola
As minha notas sempre são vermelhas
Mas eu nao tô nem aí
Arrumo as malas e me mando pro Hawaii

A sua mãe não percebe,
O "feeling" da minha guitarra no dez
E ela vendo a novela no quatro

Acho que ninguém me entende
Me dizem que eu sou "new wave" demais
Eu vou na onda que mais longe me levar, me levar

Me levar...

A sua mãe diz que eu sou vagabundo
E o seu pai é tão esnobe:
"Esse garoto não combina contigo,
A gente arranja pra você bom partido."

Mas quando eu virar um astro
Com a minha guitarra e uma prancha do lado
Eu quero ver na hora do jantar
O seu pai sentado à mesa ao lado de um popstar

E o neto dele tambem vai ser "new wave"
Filho de popstar, popstar é
E vamos todos morar no Hawaii
Tocar guitarra as 3 da manhã
E a vizinhança de cabelo em pé
E da maneira que a gente quiser

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Ataídes para todas as épocas

"- Ele diz que os tempos são outros e é natural que a nova geração substitua a velha, mas desconfio que tem esperanças de não ficar esquecido. Acredita que o Brasil vai mudar muito, principalmente se houver guerra na Europa. Foi revolucionário em 1922, 1924, e 1930. Agora, é de paz... Ainda espera assistir à evolução social do Brasil, mas deseja que as modificações venham sem violência, pela simples pressão das massas. É o que está sempre a dizer... Se o senhor visse a cara que mamãe faz com essas conversas... Papai lhe chama "latifundiária" e diz que os Ataídes têm mentalidade feudal. O senhor acha?

Respondi que, tanto quanto conhecia a história da família, podia assegurar que sempre houve Ataídes para todas as épocas. A prova é que tínhamos ali uma Ataíde socialista...

Estas palavras lisonjeiras fizeram-lhe os olhos brilhar de prazer. Certamente por ter vindo à baila a palavra "socialista", Gabriela exclamou, de súbito:

- Xi!... Estamos perdendo tempo em conversas. Precisamos trabalhar... Ia-lhe dizendo que podíamos formar duas comissões, para que o grupo não fique muito grande. Cada uma poderá agir num setor..."

(Abdias, de Cyro dos Anjos, p. 114)