"Queria falar de um rapaz, quanto tempo que nos encontramos e que nos vimos pela última vez, se tanto é que houve última vez, décadas. Era um menino, como eu. A guerra tinha acabado havia pouco. Meu irmão e eu íamos à escola pela primeira vez, eu tinha quase dez anos, até então tínhamos estudado com uma professora em casa. Não lembro se vestíamos o uniforme do Sainte Barbe* - colégio de surrado trocadilho -, nem sei se havia uniforme, mas usávamos um guarda-pó preto que nos cobria até a fronteira das meias altas que saíam dos sapatos com espessas solas de madeira e subiam pelas nossas pernas esfriadas até o joelho."
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* Ao pé da letra: Santa Barba. Em francês coloquial. "Quelle barbe" (que barba) significa "Que maçada".
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(Aquele rapaz, Jean-Claude Bernardet, 1990)
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
Feminismo
Troquei uns emails com o sr. Pondé e ele foi muito atencioso na discussão. Então me senti um pouco culpada pela agressividade aqui no blog e queria me explicar mais um pouco.
Pelo que entendi, ele se preocupa com o excesso de ciência e lógica na vida cotidiana e sua interferência na vida familiar e privada. Ele defende o direito ao mistério, por exemplo. Acho isso compreensível, embora suspeite que o "mistério" dele seja diferente do meu. Gosto de coisas misteriosas porque são turvas e infinitas, e não considero nada impenetrável. Acredito que o mistério sobrevive mesmo depois da investigação lógica e científica, e a poesia da ciência é justamente essa. Aparentemente, o sr. Pondé gosta do mistério ANTES da investigação. Estou supondo, a partir de seus textos na Ilustrada.
Mas isso não quer dizer que ele seja "mal intencionado". Às vezes escrevemos coisas a partir de nossas preocupações pessoais, e não percebemos que nossas palavras ofendem outros, com outras preocupações, simplesmente porque nunca pensamos neles.
Explicando melhor: por causas pessoais e familiares, me precupo muito com o que minha tia chama de "empoderamento de gênero". É uma tradução tosca de "gender empowerment", acho. Signfica, na área médica, dar poder às mulheres de decidir sobre o próprio corpo. Um poder tanto legal quanto emotivo, pois hoje mulheres têm direito reconhecido a reclamar de agressões, estupro, violência moral em casa e no trabalho, e mesmo assim não o fazem, porque essa agressão já está embutida em nossos sentimentos.
Provavelmente o sr. Pondé, preocupado com sua privacidade pessoal, escreveu o que bem quis SEM PERCEBER que estava sendo muito cruel em relação à questão feminina.
Sem perceber em termos, porque várias vezes ele se declarou CONTRA o feminismo. Novemente, apenas irritado com a superfície do feminismo que atinge a ele, sem perceber que essas arestas são apenas detalhes de uma proposta legítima. Agressões sociais à mulher são fato, não ideologia.
- - -
Por aqui, acho melhor encerrar esse assunto. Está ficando pesado e não quero gastar minha paz espiritual com isso.
Pelo que entendi, ele se preocupa com o excesso de ciência e lógica na vida cotidiana e sua interferência na vida familiar e privada. Ele defende o direito ao mistério, por exemplo. Acho isso compreensível, embora suspeite que o "mistério" dele seja diferente do meu. Gosto de coisas misteriosas porque são turvas e infinitas, e não considero nada impenetrável. Acredito que o mistério sobrevive mesmo depois da investigação lógica e científica, e a poesia da ciência é justamente essa. Aparentemente, o sr. Pondé gosta do mistério ANTES da investigação. Estou supondo, a partir de seus textos na Ilustrada.
Mas isso não quer dizer que ele seja "mal intencionado". Às vezes escrevemos coisas a partir de nossas preocupações pessoais, e não percebemos que nossas palavras ofendem outros, com outras preocupações, simplesmente porque nunca pensamos neles.
Explicando melhor: por causas pessoais e familiares, me precupo muito com o que minha tia chama de "empoderamento de gênero". É uma tradução tosca de "gender empowerment", acho. Signfica, na área médica, dar poder às mulheres de decidir sobre o próprio corpo. Um poder tanto legal quanto emotivo, pois hoje mulheres têm direito reconhecido a reclamar de agressões, estupro, violência moral em casa e no trabalho, e mesmo assim não o fazem, porque essa agressão já está embutida em nossos sentimentos.
Provavelmente o sr. Pondé, preocupado com sua privacidade pessoal, escreveu o que bem quis SEM PERCEBER que estava sendo muito cruel em relação à questão feminina.
Sem perceber em termos, porque várias vezes ele se declarou CONTRA o feminismo. Novemente, apenas irritado com a superfície do feminismo que atinge a ele, sem perceber que essas arestas são apenas detalhes de uma proposta legítima. Agressões sociais à mulher são fato, não ideologia.
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Por aqui, acho melhor encerrar esse assunto. Está ficando pesado e não quero gastar minha paz espiritual com isso.
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
Ainda sobre educação sexual
Quanto à postagem anterior, queria responder ao comentário da Tata com mais detalhes:
- - -
Acho que ela tem razão sobre os grupos religiosos, desde que sejam escolhas privadas dos grupos ou famílias. Fica perigoso quando esses grupos formam lobbies e tentam influenciar TODO o sistema educacional público.
Acho que o Pondé se referia a isso, na questão da educação sexual. Ele teme algum lobby com a intenção de propor educação sexual a todo o sistema educacional americano.
Vejo a seguinte diferença: informações sobre o sistema reprodutivo são fatos biológicos, não escolhas pessoais. Não dá pra negar que isso existe. E não adianta apenas dizer numa aula de biologia: o corpo funciona assim. Também é necessário explicar sobre todos os métodos de planejamento familiar e prevenção de doenças. Porque mesmo os religiosos adeptos da virgindade antes do casamento estão sujeitos a isso.
Então, ao se colocar CONTRA a educação sexual, sugerindo que ela ensina a gemer e chamando os professores de maníacos, o sr. Pondé não faz distinção do que seja uma boa aula e uma aula ruim. Coloca todos no mesmo saco, no “bando” de maníacos. É isso que me assusta.
Por exemplo, usando o paralelo que ele faz com o ensino de religião. Um grupo pode escolher a crença que quiser e ensiná-la a seus filhos (que podem acreditar ou não). Mas se essa crença assume caráter segregacionista, ferindo direitos humanos básicos – por exemplo, recuperando a idéia intolerável de que negros ou judeus ou índios são geneticamente inferiores aos brancos, posso me colocar CONTRA isso. Eventualmente, se me sentir prejudicada, posso solicitar alguma ação legal. Porque a religião, nesse caso, está interferindo em questões que estão acima do seu alcance.
- - -
Me desculpem os religiosos, mas alguns detalhes de biologia são incontornáveis. Eu consigo imaginar um ou dois indivíduos que, pessoalmente, escolham a castidade. Mas não acredito que numa família religiosa todos escolham a castidade por opção. Aceitam pela opressão dos pais, ou mentem, o que é pior. Fazem o que "não devem" sem se proteger - porque proteger significa aceitar a idéia, o que não existe na mentira.
- - -
O que acho ridículo, nisso tudo, é me ver escrevendo uma justificativa tão antiga, como se estivéssemos na década de 50.
Realmente acredito que meu pai tem razão, e colocaram esse infeliz para falar essas besteiras simplesmente para chamar atenção, e fazer uma média com o "público Veja".
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Acho que ela tem razão sobre os grupos religiosos, desde que sejam escolhas privadas dos grupos ou famílias. Fica perigoso quando esses grupos formam lobbies e tentam influenciar TODO o sistema educacional público.
Acho que o Pondé se referia a isso, na questão da educação sexual. Ele teme algum lobby com a intenção de propor educação sexual a todo o sistema educacional americano.
Vejo a seguinte diferença: informações sobre o sistema reprodutivo são fatos biológicos, não escolhas pessoais. Não dá pra negar que isso existe. E não adianta apenas dizer numa aula de biologia: o corpo funciona assim. Também é necessário explicar sobre todos os métodos de planejamento familiar e prevenção de doenças. Porque mesmo os religiosos adeptos da virgindade antes do casamento estão sujeitos a isso.
Então, ao se colocar CONTRA a educação sexual, sugerindo que ela ensina a gemer e chamando os professores de maníacos, o sr. Pondé não faz distinção do que seja uma boa aula e uma aula ruim. Coloca todos no mesmo saco, no “bando” de maníacos. É isso que me assusta.
Por exemplo, usando o paralelo que ele faz com o ensino de religião. Um grupo pode escolher a crença que quiser e ensiná-la a seus filhos (que podem acreditar ou não). Mas se essa crença assume caráter segregacionista, ferindo direitos humanos básicos – por exemplo, recuperando a idéia intolerável de que negros ou judeus ou índios são geneticamente inferiores aos brancos, posso me colocar CONTRA isso. Eventualmente, se me sentir prejudicada, posso solicitar alguma ação legal. Porque a religião, nesse caso, está interferindo em questões que estão acima do seu alcance.
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Me desculpem os religiosos, mas alguns detalhes de biologia são incontornáveis. Eu consigo imaginar um ou dois indivíduos que, pessoalmente, escolham a castidade. Mas não acredito que numa família religiosa todos escolham a castidade por opção. Aceitam pela opressão dos pais, ou mentem, o que é pior. Fazem o que "não devem" sem se proteger - porque proteger significa aceitar a idéia, o que não existe na mentira.
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O que acho ridículo, nisso tudo, é me ver escrevendo uma justificativa tão antiga, como se estivéssemos na década de 50.
Realmente acredito que meu pai tem razão, e colocaram esse infeliz para falar essas besteiras simplesmente para chamar atenção, e fazer uma média com o "público Veja".
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
Educação sexual
Hoje enviei um e-mail educado à Ilustrada, ainda sobre o sr. Pondé. O texto de hoje é inacreditável. De onde desenterraram esse cara?
Dêem uma olhada:
"Como ninguém faz uma daquelas campanhas diárias de repúdio à educação sexual nas escolas? (...) Como não ver que a educação sexual nas escolas é ridícula? Ensina-se o quê? Posições? Gemidos? Aparelhos engraçadinhos? Que tal se meninos e meninas aprendessem a colocar camisinha com a boca?
Neste caso (nos EUA), a intenção da professora seria não fazer distinção de "gênero"? Daríamos Barbies aos meninos para desenvolver neles o "gênero feminino"? Espadas para as meninas? E, se você "gosta" de plantas, tudo bem, porque tudo é natural? Qual teste se faria para checar o conhecimento da professora? Que tal um "prático"? (FSP, 26/01/09)
- - -
Essa foi minha carta:
"À equipe da Ilustrada,
Gostaria de pedir que vocês sugerissem um pouco de moderação, ou ao menos de pesquisa, ao articulista Luiz Felipe Pondé. Sou assinante da Folha e já tentei ignorar os textos que ele escreve, mas compreendam que o jornal chega na minha casa todo dia, e títulos como "Terrorismo sexual" são impossíveis de ignorar.
Não sou pedagoga e nada entendo de educação sexual. Se o sr. Pondé é contra, está em seu direito e pode escrever sobre isso. Mas por que não apresenta um exemplo concreto, um caso específico que possa relatar e criticar, para que o leitor acompanhe sua argumentação com algum embasamento?
Da maneira histérica que escreve, temos a sensação de que ele vive em outro mundo, um mundo maníaco e perverso do qual nunca ouvi falar. Quem são esses "pedagogos maníacos por sexo"? Quem é esse "bando da educação sexual"? De quem este homem está falando, afinal?
Que eu me lembre, as aulas de educação sexual no colégio eram burocráticas e desanimadas, simplesmente informações básicas sobre o sistema reprodutivo. Será que exíste alguma escola no Brasil que coloque "maníacos por sexo" junto a crianças? As escolas particulares normalmente atendem à moralidade média dos pais, que pagam as mensalidades. Duvido que os pais deixariam no emprego algum professor "maníaco por sexo".
Finalmente, gostaria de discordar do sr. Pondé num ponto específico, quando diz que "sexo nos seres humanos é erotismo". Infelizmente não é verdade. Sexo também tem consequências reais, reprodutivas. Adolescentes engravidam prematuramente, muitas vezes por não saber como se prevenir - ou saber, mas pensar que não é importante. Se a escola dá noções básicas de cidadania, ecologia, política, artes e etc, por que não falar um pouco da vida sexual? Qual é o grande problema?"
Dêem uma olhada:
"Como ninguém faz uma daquelas campanhas diárias de repúdio à educação sexual nas escolas? (...) Como não ver que a educação sexual nas escolas é ridícula? Ensina-se o quê? Posições? Gemidos? Aparelhos engraçadinhos? Que tal se meninos e meninas aprendessem a colocar camisinha com a boca?
Neste caso (nos EUA), a intenção da professora seria não fazer distinção de "gênero"? Daríamos Barbies aos meninos para desenvolver neles o "gênero feminino"? Espadas para as meninas? E, se você "gosta" de plantas, tudo bem, porque tudo é natural? Qual teste se faria para checar o conhecimento da professora? Que tal um "prático"? (FSP, 26/01/09)
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Essa foi minha carta:
"À equipe da Ilustrada,
Gostaria de pedir que vocês sugerissem um pouco de moderação, ou ao menos de pesquisa, ao articulista Luiz Felipe Pondé. Sou assinante da Folha e já tentei ignorar os textos que ele escreve, mas compreendam que o jornal chega na minha casa todo dia, e títulos como "Terrorismo sexual" são impossíveis de ignorar.
Não sou pedagoga e nada entendo de educação sexual. Se o sr. Pondé é contra, está em seu direito e pode escrever sobre isso. Mas por que não apresenta um exemplo concreto, um caso específico que possa relatar e criticar, para que o leitor acompanhe sua argumentação com algum embasamento?
Da maneira histérica que escreve, temos a sensação de que ele vive em outro mundo, um mundo maníaco e perverso do qual nunca ouvi falar. Quem são esses "pedagogos maníacos por sexo"? Quem é esse "bando da educação sexual"? De quem este homem está falando, afinal?
Que eu me lembre, as aulas de educação sexual no colégio eram burocráticas e desanimadas, simplesmente informações básicas sobre o sistema reprodutivo. Será que exíste alguma escola no Brasil que coloque "maníacos por sexo" junto a crianças? As escolas particulares normalmente atendem à moralidade média dos pais, que pagam as mensalidades. Duvido que os pais deixariam no emprego algum professor "maníaco por sexo".
Finalmente, gostaria de discordar do sr. Pondé num ponto específico, quando diz que "sexo nos seres humanos é erotismo". Infelizmente não é verdade. Sexo também tem consequências reais, reprodutivas. Adolescentes engravidam prematuramente, muitas vezes por não saber como se prevenir - ou saber, mas pensar que não é importante. Se a escola dá noções básicas de cidadania, ecologia, política, artes e etc, por que não falar um pouco da vida sexual? Qual é o grande problema?"
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
Móveis de Quiroga
Na cidade de San Ignacio, na Argentina, visitamos a casa de pedra construída por Horacio Quiroga. Foi uma surpresa. Estávamos lá para visitar as ruínas dos jesuítas quando vi a placa indicando: "casa de Quiroga".
Eu sabia que ele tinha morado numa espécie de fazenda, experiência intelectual de voltar à natureza que acabou em sofrimento. Pelo menos é o que aparece nos contos. Mas não sabia onde ficava tal fazenda.
Fotografei os móveis.
Neste site há um conto dele: http://www.releituras.com/hquiroga_menu.asp
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Horacio Quiroga (1878 – 1937), nasceu em Salto, no Uruguai. Sua vida foi marcada por acontecimentos trágicos — a morte violenta do pai, o suicídio do padrasto, o falecimento de dois de seus irmãos, o suicídio da primeira esposa e seu próprio suicídio, com cianureto, ao saber que sofria de um câncer gástrico incurável. Seus três filhos se suicidaram. Conviveu em Paris com Rúben Darío, foi professor de castelhano em Buenos Aires – Argentina, trabalhou como fotógrafo em uma expedição à ruínas jesuíticas de Misiones, onde morou.
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Nas "Imagens" do Google só aparecem fotos posadas e bem comportadas.
Eu deveria ter fotografado as fotos expostas na casa... magro de assustar, barba longa, machado na mão, olhar fixo.
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Eu sabia que ele tinha morado numa espécie de fazenda, experiência intelectual de voltar à natureza que acabou em sofrimento. Pelo menos é o que aparece nos contos. Mas não sabia onde ficava tal fazenda.
Fotografei os móveis.
Neste site há um conto dele: http://www.releituras.com/hquiroga_menu.asp
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Horacio Quiroga (1878 – 1937), nasceu em Salto, no Uruguai. Sua vida foi marcada por acontecimentos trágicos — a morte violenta do pai, o suicídio do padrasto, o falecimento de dois de seus irmãos, o suicídio da primeira esposa e seu próprio suicídio, com cianureto, ao saber que sofria de um câncer gástrico incurável. Seus três filhos se suicidaram. Conviveu em Paris com Rúben Darío, foi professor de castelhano em Buenos Aires – Argentina, trabalhou como fotógrafo em uma expedição à ruínas jesuíticas de Misiones, onde morou.
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Nas "Imagens" do Google só aparecem fotos posadas e bem comportadas.
Eu deveria ter fotografado as fotos expostas na casa... magro de assustar, barba longa, machado na mão, olhar fixo.
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