Estes foram os últimos parágrafos que consegui escrever, na semana passada. Desde então carrego a sensação de que estão essencialmente errados.
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"As salas amplas, construídas com evidente desleixo burocrático. As funcionárias, gordas e cansadas, tomando o café doce da garrafa térmica e reclamando preguiçosamente porque precisavam trazer seu papel higiênico de casa. Sentada diante de meus trinta alunos, duas vezes por semana, eu tentava demostrar entusiasmo pela literatura e sua importância em nossas vidas.
Homens e mulheres de origens e idades variadas. Eu não queria julgá-los, mas não conseguia evitar que meu olhar os classificasse em dois grandes grupos: os jovens de esperanças ilusórias, e os adultos envelhecidos tentando recuperá-las. Todos sonhando envergonhados, esperando da arte alguma verdade comovente, a revelação do sentido que não enxergavam, em cuja existência desejavam tanto acreditar."
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O narrador deveria apresentar as idéias - aparentemente elitistas e arrogantes - com sofrimento compartilhado. Apenas um grau maior de compreensão, mas não o suficiente para escapar da miséria. Como o ciclope do filme
Krull, que pode ver o futuro, o que só lhe serviu pra saber o dia da própria morte.
Talvez a solução seja quebrar o tom no parágrafo seguinte; o narrador reconhecendo sua própria fraqueza.