quinta-feira, 10 de julho de 2008

Flat hose

Ao que tudo indica, vamos nos mudar. O cabrito assinou o compromisso de compra de uma casa. Ainda sem dinheiro para pagar o resto, quer nos instalar com uma parcela de razão e outra de invasão. Se algo der errado, ele diz, estamos lá e fica mais difícil nos tirar.

A casa está vazia e as plantas começam a secar. Tentei comprar uma mangueira para ao menos regá-las, enquanto não mudamos. Não sou muito dedicada a jardins, mas tenho um mínimo de coração e não posso deixar tudo morrer. Não agora, que minha mãe avisou. Antes eu não tinha percebido.

Passei rapidamente na loja de materiais de construção, mas não havia mangueiras prontas. Eles precisam medir quantos metros eu quero e preparar na hora. O que exatamente há para preparar numa mangueira? O encaixe e o jato? Eu estava apressada e não esperei.

Meu sonho, nesse momento, é comprar uma flat hose. Não uma mangueira de plástico da lojinha do bairro. Mas uma mangueira avançada e tecnológica, para regar lepidamente como na TV a cabo.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Alma a tientas

O texto original:

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Letanía de nuestro señor Don Quijote

a Navarro Ledesma

Rey de los hidalgos, señor de los tristes,
que de fuerza alientas y de ensueños vistes,
coronado de áureo yelmo de ilusión;
que nadie ha podido vencer todavía,
por la adarga al brazo, toda fantasía,
y la lanza en ristre, toda corazón.

(...)

Ruega por nosotros, hambrientos de vida,
con el alma a tientas, con la fe perdida,
llenos de congojas y faltos de sol,
por advenedizas almas de manga ancha,
que ridiculizan el ser de la Mancha,
el ser generoso y el ser español!

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A última estrofe é absolutamente comovente.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Com a fé perdida

Já falei desse poema no blog? Não queria me repetir, mas tento continuar no romantismo de Ruben Dario.

Queria digitar o original em espanhol, mas hoje não tenho tempo. Segue uma tradução (pobre) que eu mesma fiz, tentando apenas ser literal. Sujeita a erros porque nunca estudei espanhol.

São duas estrofes. O poema é mais longo.

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Litania de nosso senhor Don Quixote

Rei dos fidalgos, senhor dos tristes
que de força alimentas e de sonhos vestes,
coroado de áureo elmo de ilusão;
que ninguém pôde vencer todavia,
com o escudo ao braço, todo fantasia,
e a lança em riste, toda coração.

(...)

Roga por nós, famintos de vida,
com a alma às cegas, com a fé perdida,
cheios de angústias e privados de sol,
por almas oportunistas e indulgentes,
que ridiculizam o ser da Mancha,
o ser generoso e o ser espanhol!

sábado, 5 de julho de 2008

Sexo e comoção

Sobre o texto "(vazio)" e os comentários recebidos:

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Sim, acho possível dissociar a construção literária da idéia, até um certo grau. Uma idéia pode ser bem ou mal escrita.

Nesse texto, tentei alinhar alguns pensamentos na segunda pessoa do plural, e não na primeira. Foi uma tentativa de expandir o sentimento, que acredito não seja único em uma pessoa. É um sentimento compartilhado pelo casal e, por extensão, por outros casais, embora permaneça silencioso dentro de cada um.

Concordo que as duas últimas frases não são muito originais. Embora, repito, a questão não é banal para mim. Quando estamos casados e o vínculo é forte, esconder alguns sentimentos causa, dentro do silêncio, muita tensão. Ao mesmo tempo essa tensão gera um poder interno, porque devolve a individualidade. Às vezes tenho dúvidas se o desejo por outras pessoas é realmente pelos outros, ou uma vontade íntima de afirmação.

Na quarta frase, tentei escolher com cuidado alguns substantivos, aliando sexo a comoção, para tentar dar forma a algo que acontece comigo. É uma questão pessoal, ninguém é obrigado a entender: um sentimento estranho que alia amor sexual e piedade.

Também tentei usar palavras sóbrias, como honestidade e permanência. Porque realmente não queria tratar do assunto de maneira cotidiana. Se parece pretensioso foi um engano, não tive a intenção.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

La canción de los pinos

Ando muito ocupada e nervosa. Triste.

Muitos anos atrás, no primeiro ano da faculdade, ouvi um programa na Rádio Cultura sobre o poeta Ruben Dario. Uma atriz argentina lia seus poemas. Nunca esqueci a voz corajosa, madura e musical.

É pena que eu não a possa imprimir ao digitar esses versos, que ainda hoje me marcam.

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(estrofes finais de "La canción de los pinos")

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"Románticos somos... Quién que Es, no es romántico?
Aquel que no sienta ni amor ni dolor,
aquel que no sepa de beso y de cántica,
que se ahorque de un pino: será lo mejor...

Yo no. Yo persisto. Pretéritas normas
confirman mi anhelo, mi ser, mi existir.
Yo soy el amante de ensueños y formas
que viene de lejos y va al porvenir!"

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Concordo que nem tudo é bom nessas estrofes. O último verso é horrível. Da primeira quadra, gosto da idéia mas reconheço que o conjunto soa infantil.

Mas estou totalmente vinculada às frases: "Yo no. Yo persisto. Pretéritas normas confirman mi anhelo, mi ser, mi existir."

"Anhelo", conforme li no dicionário há algum tempo, significa desejo. Talvez eu tenha lido errado.


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Sei que o saudosismo pode ser considerado conservador, politicamente.

Mas não entendo assim, nesse caso. Cada um sabe, internamente, quais são as pretéritas normas que lhe fazem sentido.


Reconheço a importância da dignidade e da gentileza, do sentido de missão, na leitura um tanto mítica que foi ligada à nobreza na Idade Média.

Ainda que, politica e existencialmente, eu seja materialista.

terça-feira, 1 de julho de 2008

(vazio)

Porque somos casados e permaneceremos casados. Mas o que fazer com o desejo aleatório? Um casamento não deve ser aberto, não se rompe o vínculo sem dor. Mas um encontro não planejado, se alguém nos desperta carinho e desejo, a mesma comoção que nos fez casar, antes, com quem nos acompanha agora. O mesmo sentimento e igualmente honesto, mas a hora é outra e a permanência impraticável. Se o lugar é distante, se não há testemunhas, o controle é impossível. Mantemos o silêncio, porque silêncio não é mentir. É direito ao segredo.

Sem saber

No sonho estávamos numa sala. Sua filha pequena assistia televisão, ele sentado numa poltrona e eu, no chão, entre os dois. Ele me perguntava com o olhar, a menina perceberia o que havia entre nós?

Então ele estendia a mão e tocava minha nuca. Senti o toque fisicamente, sonhando, como um choque elétrico. Acordei assustada, sem saber que horas eram.

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São uma benção, os orgasmos durante o sono.